terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Em Colonia Del Sacramento



É um lugar muito bonito. Vale a pena. Depois posto mais algumas fotos.

Sumiço total. Aparición porteña.

No corre-corre da última semana de trabalho tive que ir pra Brasília e ali fiquei uns pares de dias. Logo em seguida, viajei pra Buenos Aires e agora estou em Colonia Sacramento. Passear por Buenos Aires é sempre bom, nao é mesmo?

Andando um dia por Palermo, eis que me deparo com a loja da Paty Difusa!!! Aqui é Patidifusa. Vejam só a foto da loja. É de sapatos. Modernos, pero no mucho!

Resolvi fazer roteiros que deixamos de lado quando temos poucos dias numa cidade. Foi ótimo, porque nao tinha aquela pressao de conhecer os pontos turísticos. É claro que alguns lugares a gente precisa ver de novo. San Telmo, Palermo etc.

É incrível como aqui convivem o velho e o novo. Novas livrarias ao lado de antigas. Novos bares, ao lado de bares superantigos. Estas duas ficam na Av. Santa Fé.



Agora estou em Colonia Del Sacramento, no Uruguai. É lindo. Parece casinha de boneca.
Vejam algumas fotos no post seguinte.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Contra a anistia aos torturadores

Já estão sendo coletadas assinaturas no manifesto ao Supremo Tribunal Federal contra a anistia aos torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar. O STF vai julgar se a Lei de Anistia se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar.

Pra conhecer o manifesto e assinar a petição, entre no site Juízes pela Democracia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Por que não assinar a Folha

Está em andamento uma campanha pra cancelamento da assinatura da Folha e do UOL - que tá incomodando um bocado as duas empresas, mas eu acho que também é preciso ter uma resposta pronta para os telemarketing da vida que ficam ligando e insistindo pra gente assinar o jornal.

Mesmo depois de dizermos diversas vezes que não temos interesse em assinar o jornal, o operador do telemarketing continua insistindo. Então, segue uma sugestão de resposta pra por fim à conversa:

"Não vou assinar a Folha porque a empresa emprestou carros para transportar presos políticos na época da ditadura, faz campanha declarada para o Serra e fica dizendo que é imparcial, mas publica mentiras e notícias distorcidas. Ponto final".

Blogueiro notificado pela Folha: "Intimidação"

Em entrevista publicada no blog Vi o Mundo, do Azenha, o blogueiro Antonio Arles explica que recebeu notificação da Folha e do UOL para retirada das respectivas marcas do blog Arlesofia ( leia-se retirada da campanha para cancelamento das assinaturas dos dois veículos). Arles ficou injuriado, assim como milhares de pessoas, com a publicação pela Folha do artigo de Cesar Benjamim sobre o presidente Lula.

Leia a entrevista no Vi o mundo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

30 anos do Lira Paulistana na Praça Benedito Calixto

à frente, Riba de Castro, um dos ex-sócios
do Lira; ao fundo, o Língua de Trapo

À direita, Wandi Doratiotto, do Premê


Vange Milliet, do Isca de Polícia



O revival que a moçada do antigo Lira Paulistana tá fazendo na cidade tá bem interessante. Hoje teve show na praça Benedito Calixto com Isca de Polícia, Premeditando o Breque, Lingua de Trapo, Passoca e outros. Na platéia, muita gente de cabelo branco (afinal, no tempo do Lira, essa moçada já estava perto dos 30), Muito careca, muitos mais gordinhos do que nos lembrávamos etc. É o tempo cobrando o dízimo.


O Lira foi um teatro/bar que funcionou na rua Teodoro Sampaio,em Pinheiros, do final dos anos 70 até meados dos anos 80 e lançou muito músico na cena cultural. Um dos músicos que passaram por ali, foi Tiago Araripe, de Fortaleza. Eu gostava do som dele. Tive o disco Cabelos de Sansão (que agora foi relançado em CD). Como muita gente daquela geração, ele não teve seu trabalho reconhecido. Mas acho que faz parte.

O show de hoje foi ótimo pra rever alguns ex, muitos amigos, conhecidos, ex-colegas de faculdade. O som, tava sofrível, mas só de ver os músicos em cima do palco, já pagou o show.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O decálogo de Santi Santamaria

Este decálogo peguei emprestado do blog "La Cocina y la Vida", do chef catalão Santi Santamaria. Quem acompanha um pouco as novidades na área gastronômica, sabe que Santamaria é o oposto de Ferrán Adriá, o outro catalão. Santamaria prega o respeito à natureza, já Adriá, defende as inovações na gastronomia. Vejam o decálogo do Santamaria, postado no dia 24 de novembro.

Decálogo del cocinero del siglo XXI

Por supuesto, esto no es un decálogo, entre otras razones porque contiene veinte mandamientos, y no diez, pero cada cual puede tachar lo que no proceda:

1. Nada puede parecerse a lo que es.
2. Presenta al revés el resultado de tu pensamiento lógico.
3. Empieza de cero, como si sufrieras amnesia.
4. Inspírate en lo más lejano.
5. Si sorprendes, triunfarás.
6. Huye de lo identitario.
7. Opta por lo desconocido y olvídate de lo reconocido.
8. Menos es más: mejor escaso que abundante.
9. Entre lo informal y lo formal, no lo dudes: ¡desmelénate!
10. ¿Líquido o sólido? Convierte lo líquido en sólido y lo sólido en líquido.
11. Comer con los dedos es un arte.
12. Frente a un alga o una patata, siempre el alga.
13. Si necesitas polvos para hacer magia culinaria (colorantes, aromatizantes, gelificantes, potenciadores del sabor, etc.), úsalos: son ingredientes naturalmente químicos.
14. Camina de la mano de la ciencia: convierte tu cocina en un laboratorio.
15. No seas payés y abraza las marcas, que salvarán al mundo de su actual desorientación.
16. Apúntate a todos los espectáculos gastronómicos: sin ellos, sólo cocinarías, y hoy es necesario desfilar por la pasarela para seducir.
17. La tradición es la memoria y la innovación, el futuro: apuesta siempre por el futuro.
18. No te olvides de tener siempre a mano agua San Pellegrino y café Nespresso.
19. Haz lo que sea por salir en la foto con los habituales.

Ah, y el último, el número 20, que los resume a todos: no te olvides nunca de hablar mal de Santi Santamaria.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O menino Lula

O Kotscho publicou um post no Balaio falando sobre o livro “O Menino Lula” que Audálio Dantas acaba de publicar (Ediouro). Ele fala sobre a trajetória de Lula e de Audálio, ambos migrantes e bem sucedidos nas suas áreas.

Kotscho conta que ao ler o livro, relembrou as histórias que o próprio Lula gostava de contar aos amigos. Dez imagens que ele registrou na memória:
1) Do espanto da jumenta que o agarrou com os dentes e não o queria soltar;
2) Da doença dos olhos que o irritava e só conseguiu curar recentemente, já em Brasília;
3) Do mulungu que continuava em pé quando fui a primeira vez com ele a Caetés, em 1989;
4) Do susto na irmã Maria e a volta repentina ao sertão do pai que havia sumido;
5) Da carta do irmão Jaime para a mãe e a partida da família toda para São Paulo;
6) De Lula e Ziza, o Frei Chico, se aliviando no mato, durante uma parada do caminhão, e quase perdendo o pau-de-arara;
7) Do primeiro carinho do pai quando Lula se machucou com um facão;
8) Do sonho de ser motorista do caminhão amarelo;
9) Da surra de mangueira do pai no irmão e da mãe decidindo o destino dos filhos com a mudança para São Paulo;
10) Da alegria de vestir o primeiro paletó.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O típico paulistano

Recebi uma dessas mensagens repassadas na internet e achei algumas bem interessante. São dicas pra reconhecer um paulistano e achei legal porque estou hospedando uma mineira e uma matogrossense e posso ver bem as diferenças no jeito de falar e se expressar. Selecionei algumas:

VOCÊ SABE QUE ALGUÉM É PAULISTANO QUANDO...

Na fala: chama o semáforo de 'farol'; diz '*bolacha' *em vez de biscoito; diz 'bexiga' em vez de balão; acha que não tem sotaque nenhum; ri do sotaque de todo mundo (gaúcho, carioca, mineiro, nordestinoetc...).

No clima: enfrenta sol, chuva, frio, calor, tudo no mesmo dia e acha legal...

Na praia: fica a temporada no Guarujá, Maresias ou Ubatuba, mesmo que chova
mais do que faça sol; chama Ubatuba de 'Ubachuva'; fala mal da Praia Grande, mas toda virada de ano fica sem dinheiro e acaba indo para lá.

Nas esquisitices: faz fila para tudo (elevador, banheiro, ônibus, banco, mercado, casquinha do MC'DONALDS etc.); repara nas pessoas como se fossem de outro planeta; cumprimenta os vizinhos apenas com 'oi' e 'tchau'; espera a semana inteira pelo final de semana e quando ele chega, acaba não fazendo 'nada';

convida: 'Passa lá em casa', mas nunca dá o endereço.

Principal: ri de si mesmo ao perceber que tudo acima é verdade e encaminha para todos os amigos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lula, Cristo e Judas

Acabei de ler um texto hilário e inteligentíssimo do Ribamar Bessa Freire, que é sociólogo e historiador e na Uerj coordena o Programa de Estudos dos Povos Indigenas da Faculdade de Educação. Em LULA, CRISTO E JUDAS, ele avalia se a tese de Lula sobre a necessidade de alianças até mesmo com Judas é verdadeira ou se ela seria diferente num cenário imaginário criado por ele (Ribamar), no qual Jesus nasceria na Amazônia e seria tentado pelos diabos ainda existentes por ali. Vale a pena. Clique aqui pra ler o artigo todo no blog do Ribamar, o Taqui pra ti.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Saudades do México

Hoje amanheci com saudades do México. Então procurei um vídeo da Lila Downs. A música - La Llorona - é linda. Não consegui inserir o vídeo aqui, mas o link é este:
http://www.youtube.com/watch?v=iq3dJgUyM_c

Quem quiser ver uma coisa bem-humorada do México lá, pode procurar vídeos no Youtube da Regina Orozco.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quem fala sobre qualquer coisa...

A cada dia que passa tenho mais preguiça de ouvir ou ler o que determinadas pessoas tidas como formadoras de opinião falam ou escrevem. A última foi a do Caetano Veloso que declarou que o Lula é analfabeto, não sabe falar, é cafona falando e grosseiro. Tudo isso pra dizer que a Marina Silva não é nada disso, por isso, ele, Caetano, vai votar nela. Se existe uma coisa que eu admiro no Chico Buarque e imagino que ele seja admirado por muitas pessoas pelo mesmo motivo: ele não se presta a falar sobre qualquer coisa em jornais, revistas e televisão só pra aparecer. Coisa que o dito Caetano faz direto. Da minha parte, faço um esforço enrome pra separar o compositor Caetano do grilo falante Caetano, mas confesso que tá cada dia mais difícil. Por enquanto, ele continua de castigo e os CDs dele estão lá no fundo da gaveta.


A íntegra da entrevista está no Estadão de hoje.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pra inglês ver

Ando me divertindo à beça (será que essa expressão é muito antiga?) nas aulas de inglês. É isso mesmo, voltei ao inglês. Mais uma tentativa. Dizem até que já sou PhD em básico de inglês!!! Bem, mas uma das alunas garante a diversão. Alguns meses depois de entrar numa empresa renomada, ela já tem uma lista tão grande de reclamações que é a coisa mais incrível. Em alto-e-bom-som, reclama das irregularidades, da falta de integridade, das práticas viciadas etc. etc. etc. Agora, entre uma entrevista e outra, resolveu escrever um livro em inglês sobre tudo isso. E não é um livro pra inglês ver, não. É real. Com todas as lamúrias, maracutaias e eticéteras a que ela tem direito. É isso. Quem sabe um dia também não resolvo colocar idéias num livrinho. Mas em português mesmo. Quanto ao inglês, acho melhor ir morar fora um tempo pra ver se levo jeito pra coisa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Naná jogou um feitiço em mim

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Domingão, final de tarde, fui ver Luis Melodia e Naná Vasconcelos juntos no SESC Vila Mariana. Sou fã dos dois, mas só tinha visto de perto o rapaz do Estácio. Quase duas horas depois, saí meio que flutuando daquele lugar. Que show! Naná Vasconcelos. O que é aquilo? Uma criança? um duende? um encantador de pessoas? Fui encantada por ele. Um sorriso de criança no rosto, o prazer a cada nota tirada de seus apetrechos de percussão, a sinceridade e amor com que olhava para o Luis Melodia, coisa de irmão de fé. E eu sei o que é isso, porque tem muita gente com quem a gente se identifica tanto que é como se fôssemos irmãos. E ali, naquelas quase duas horas, parecia que um monte de gente encantada se reuniu pra esquecer que o mundo girava lá fora. É bom demais quando a gente tem essa sensação, não é mesmo?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A 28ª esposa do Thiago de Mello

É isso mesmo. Deu na coluna do Ancelmo Gois, no Globo do dia 22/10: "Thiago de Mello, 83 anos, o grande poeta brasileiro, autor de clássicos como O estatuto do homem e Canto do amor armado, casou-se pela vigésima-oitava vez. A mulher, Poliana, tem pouco mais de 30."

Ora, o fato de a noiva ter pouco mais de 30, é irrelevante. O que salta aos olhos mesmo são as 28 vezes que nosso poeta se aventurou pelos meandros do casamento. Afinal, tem gente que foge de casamento como o diabo foge da cruz. Mas parece que esse não é o caso dele. O que será que ele vê de tão bom nessa instituição tão antiga? Dá pra ver que as coisas não saíram muito bem, afinal, 28 vezes são 28 vezes!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Boas e curiosas exposições em São Paulo

Propagandas de Cigarro - Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas – 90 propagandas veiculadas em jornais e revistas americanas entre as décadas de 1920 e 1950 mostram que até bebês eram utilizados para vender cigarros. Associado ao glamour, fumar teve como propagandistas ídolos do cinema como John Wayne, Marlon Brando, Humphrey Bogart entre outros. Na exposição quem fuma e quem não fuma pode ver como a indústria vendia seu produto. Tudo começou como um hobby de um médico, que aos poucos se deu conta de que ali não havia nada de inocente. Pelo contrário. Onde e quando: na livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073. Tel.: 3170-4033). De seg. a sáb., 9h/22h; dom. e feriados, 9h/18h. ). Grátis. Até 26/10.


A Humanidade em Guerra – a mostra é comemorativa aos 150 anos da Cruz Vermelha e aos 60 anos da revisão das Convenções de Genebra (normas de proteção a civis e prisioneiros de guerra) e apresenta os trabalhos de fotógrafos que estiveram presentes nas guerras e conflitos que abalaram o mundo nos últimos 150 anos. As imagens são fortes e mostram mulheres, crianças, homens diante da brutalidade da guerra. Mas mostra também a força do ser humano nos campos de batalha. Na matéria do Estadão de domingo, o fotógrafo Ron Haviv, um dos profissionais que integram a exposição disse que a mostra serve para
mostrar que "a vida das vítimas que aparecem no noticiário continua depois que elas saem das manchetes". Onde e quando: Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas 542 - Centro). Até 15/11. De terça-feira a sábado das 12hs às 20hs. Entrada Franca. (foto: H.D.Finck)


A Invenção de um Mundo Artes Visuais – a mostra de fotografias apresenta 127 obras de 30 artistas do acervo da Maison Européenne de la Photographie, que extrapola a simples documentação fotográfica, mesclando processos alternativos de impressão e novas tecnologias. Dividido em partes, a exposição explora A Invenção da Memória, O Eu Reinventado, Invenção de um Sonho, A Invenção da Forma, Invenção das Certezas, entre outras. Poemas, vídeos e música são alguns dos recursos utilizados na exposição. Onde e quando: Itau Cultural (Av. Paulista, 149). Até 13/12. De terça a sexta, das 10h às 21h e sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h. Entrada franca. (Foto: La neige qui brule, Bernard Faucon)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dia do doce de leite???


Pois é, ontem, dia 13 de outubro, os argentinos comemoraram o dia do doce de leite. No país vizinho, além do doce, fazem parte do patrimônio gastronômico o mate, as empanadas e o assado.

Já no Brasil, entre os nossos patrimônios imateriais estão os ofícios das paneleiras de Goiabeiras (panelas pretas do Espírito Santo) e o das baianas do acarajé, além do bolo Souza Leão e do bolo de Rolo (de Pernambuco), o modo artesanal de fazer o queijo de Minas (regiões do Serro e da Serra da Canastra e da Serra do Salitre, em Minas), entre outros.

Outros patrimônios culturais nacionais são o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA), o Samba de Roda (Recôncavo Baiano), a Feira de Caruaru (PE), o Frevo e o Maracatu (PE), o Tambor de Crioula (MA), as matrizes do samba: Partido Alto, Samba de Terreiro e Samba-Enredo (RJ), entre outros.

A nota sobre o dia do doce de leite que li no jornal argentino La Gaceta, diz que a origem do doce é desconhecida e que cada um dos países que tem a iguaria em sua tradição gastronômica conta uma história diferente sobre a origem do doce.

Sobre o assunto, vale a pena ler o artigo Os doces de leite na América Latina, da antrópoga e pesquisadora Esther Katz, publicado no site do Slow Food, no qual ela registra que o doce de elite não é exclusividade dos países da América do Sul e que ele recebe diferentes nomes como dulce de leche, manjar blanco, cajeta, arequipe mumu, e outros.

E só pra registrar, o doce de leite mais gostoso que comi nos últimos tempos foi o do Mocotó, o restaurante de comida nordestina que fica na Vila Medeiros. D-E-L-I-C-I-O-S-O. De lamber os dedos! A foto é dos tachinhos de doces de lá.

sábado, 10 de outubro de 2009

O cheiro da comida de casa

Alguém comentou comigo sobre um artigo de alguém, publicado em algum lugar (parece que a memória anda fraca?), que falava sobre o cheiro da comida de casa. Coincidiu que eu estava lendo o livro A morte do Gourmet, que conta a estória de um crítico gastronômico que descobre ter pouco tempo de vida e começa a tentar descobrir qual foi a comida que mais o marcou.

Bem, tudo isso pra dizer que na casa da minha família, quando se fazia a comida de “festa” como sushi, sashimi e outras comidas frias, poucos cheiros ficavam pelo ar. Exceções para o gengibre ralado e o caldo de shoyu no qual se cozinhava umas tiras de nabo hidratado que se usava pra rechear o maki-zushi (aqui popularizado como “pneu” porque o arroz vem enrolado na alga).

Mas alguns cheiros e gostos da infância e da adolescência a gente nunca esquece mesmo. O arroz era cozido na panela especial, elétrica, e quando a gente abria a tampa, subia aquela nuvem de vapor, super cheiroso. Arroz branco, grudadinho (o famoso Unidos venceremos!), servido nas tigelinhas pra servir de base para o okazu (mistura).

Inesquecível mesmo era o carê (creme de curry) que minha mãe fazia e que por muitos anos depois de todos termos partido pra tocar nossas vidas, continuávamos pedindo pra ela fazer. Numa panela ela cozinhava carne moída, cenoura e batata em cubinhos e depois engrossava com uma mistura de curry e farinha de trigo tostados. Lembro que era bem apimentado. Pegávamos com uma concha e cobríamos o arroz bem quente. Era uma comida dos deuses. Me deu até água na boca, só de lembrar!

O pior mesmo é que na vida adulta a gente fica perseguindo esses gostos e cheiros e dificilmente encontra. Vejo amigas que tentam agradar seus companheiros fazendo um prato mais que comentado e no fim ouvem o famoso “não é igual ao da minha mãe, mas tá bom” Não soa como prêmio de consolação?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Segunda sem carne - Ibirapuera/São Paulo



O movimento "Segunda sem carne" já existe em diversas partes do mundo, mas ficou famoso quando Paul MacCartney aderiu à campanha (se bem que ele mesmo é vegetariano). Em São Paulo a campanha Dia sem carne - descubra novos sabores será lançada durante o próximo final de semana (3 e 4 de outubro), na Marquise do Parque do Ibirapuera. Um convite a redescobrir sabores, ampliar o repertório de alimentos no cardápio das pessoas, deixar a carne de lado por um dia e testar novas receitas.

O Convivium Slow Food São Paulo vai participar realizando 6 Oficinas do Gosto, às 12h, 14h e 16h (nos dois dias), na tenda do Gosto. Veja a programação completa no site Dia sem carne - descubra novos sabores.

Quem promove: Sociedade Vegetariana Brasileira e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com apoio do Greenpeace, do Instituto Pólis, do Slow Food São Paulo, Revista dos Vegetarianos, Agência de Notícias de Direitos Animais, Instituto Nina Rosa, Prefeitura de São Lourenço da Serra, entre outros.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A cozinha a nu

Está chegando mais um Mesa SP, que é aquela babel que todos os interessados em gastronomia querem ver de perto, mas nem todos podem, afinal os preços são mais que salgados, amargos e azedos. Nesses eventos, além da troca de experiências com especialistas de diversas partes do mundo, muitos vezes vemos o enaltecimento às alturas de chefs, o que pode descambar para uma briga de egos, que nem sempre corresponde ao real valor daqueles que se digladiam no ringue.

Andei pensando sobre a “briga” entre Ferran Adriá e Santi Santamaria, dois chefs catalães, que à primeira vista são totalmente opostos no modo de pensar a culinária e a gastronomia. Mas será que são tão diferentes assim? Não estariam todos a serviço do prazer de comer? Parece que ali a coisa tá feia. Santamaria lançou o livro “A Cozinha a Nu – Uma visão renovadora do mundo da gastronomia”, que já vendeu mais de 30 mil exemplares no original espanhol (e já está nas livrarias brasileiras, traduzido pela Editora Senac), no qual defende suas idéias de respeito aos preceitos originais da cozinha, ou seja, alimentos com cara e sabor de alimentos, vindos da terra, do mar ou do ar.

Mas o mundo de Adriá também tem muitos defensores. A revista TIME elegeu a ciência gastronômica, ou a gastronomia molecular, como uma das 10 maiores idéias que mudarão o mundo. O artigo está traduzido no blog Gastronómicas, da Joyce Galvão, cozinheira e engenheira de alimentos que participou do debate Blogueiros da alimentação, na série Estantes & Panelas da Livraria Cultura. Leiam o artigo no blog dela.

No artigo, defende-se a idéia de que é inútil e errado resistir contra a ciência alimentar como fazem movimentos que defendem a valorização dos produtos orgânicos, como faz o Slow Food. Bem, eu não concordo com isso. Acho que existe sim uma racionalização muito grande do mundo da culinária. E sou uma incansável defensora da melhoria da qualidade de vida em todos os sentidos, e a alimentação é só uma parte disso. E se é possível viver sem aditivos químicos na alimentação, eu vou por este caminho.

sábado, 26 de setembro de 2009

Livros que li e gostei

Um dia desses uma amiga me perguntou se tinha algum livro pra emprestar. Então, fiz um pequeno resumo daquilo que eu tinha mais à mão, pra ela escolher. Separei em duas colunas: aqueles que li e gostei; e aqueles que ainda vou ler. Vou listar aqui alguns que li e gostei.

Calor, do Bill Buford (Ed. Companhia das Letras) - história do próprio Buford, um jornalista que era editor da revista New Yorker e largou tudo pra "ralar" nas cozinhas dos restaurantes de Nova York. É interessante e divertido. Pra quem tem ilusão de que ser chef é puro glamour.

Julie & Julia, de Julie Powell (Ed. Conrard) - uma jovem americana joga tudo pro alto e se dedica a revisitar as 524 receitas de um manual de culinária francesa de autoria de Julia Child e postar suas experiências num blog. É divertido. Acabou de virar filme, com Meryl Streep como Julia Child; Amy Adams como Julie Powell.

Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo (Ed. Fundação Perseu Abramo, esgotado) - escrito pela própria Lélia, conta a comovente história da família, os anos da guerra passados na Itália, as dificuldades profissionais etc.

Dois irmãos, do Milton Hatoum (Ed. Companhia das Letras) - conta as vidas diferentes e paralelas de irmãos gêmeos filhos de imigrantes libaneses que nasceram na Amazônia. É bem bonito. Mostra um lado da Amazônia que a gente não conhece, o dia-a-dia.


A paixão e a exceção, da Beatriz Sarlo (Ed. Companhia das Letras) - é uma autora argentina que fala sobre os extremos a que chegam as pessoas quando a paixão fala mais alto (o sequestro do cadáver da Evita), os personagens do Jorge Luis Borges, os Montoneros etc.

Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura, de José Caldas Costa (Ed. Boitempo) - é um livro superinteressante sobre a guerrilha formada por dissidentes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha (1966-1967). Ganhou diversos prêmios e baseou o filme Caparaó.


O nome da morte, de Klester Cavalcanti (Ed. Planeta) - é uma história fantástica sobre um matador de aluguel que apagou quase 500 pessoas em 35 anos. Ele conta detalhes, motivações etc. Ganhou diversos prêmios de jornalismo literário.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Para conhecer a filosofia do Slow Food


Acaba de sair pela Editora Senac SP o livro Slow Food: Princípios da nova gastronomia, que é a tradução do livro Buono, pulito e giusto: principi di nuova gastronomia, do Carlo Petrini
criador do movimento Slow Food. A tradução é de Renata Lucia Bottini. Vou ler, depois comento.

O Convivium São Paulo do Slow Food está à toda, elaborando, adaptando e colocando em prática as Oficinas do Gosto, que têm como missão principal, estimular crianças e adolescentes a conhecerem ingredientes comuns por meio dos sentidos. As oficinas já realizadas já mostraram que muitos dos participantes não conhecem nossos temperos mais comuns como a salsa, a hortelã e outros. Da mesma forma, pela textura, não reconhecem frutas como o abacate.

A idéia é realizar as oficinas em eventos públicos e, principalmente, em escolas públicas do estado.

O Convivium também apoia iniciativas como a campanha “Segunda sem Carne” que já existe nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países da Europa e que será lançada em São Paulo no dia 3 de outubro, no Parque do Ibirapuera, pela Sociedade Vegetariana Brasileira. O Slow Food vai participar realizando seis oficinas do gosto - três no sábado, dia 3 e três no domingo, dia 4.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ripper, Ed Viggiani e Cartier-Bresson juntos em São Paulo?

É demais para os amantes da fotografia. A cidade recebe três exposições de peso ao mesmo tempo. Digo isso porque o mestre francês influenciou muitos dos nossos fotógrafos e educou o olhar de apreciadores da fotografia, como eu.

Num mesmo espaço, o da Caixa Econômica da Praça da Sé, pode-se ver o trabalho do Ed Viggiani (foto acima) e do João Roberto Ripper (foto abaixo).

Dois dos melhores fotojornalistas do país. Quem ainda não viu, pode aproveitar esta semana pra ver as duas, porque a exposição do Ripper termina no domingo, dia 27.


E a do Cartier-Bresson fica até 20 de dezembro no SESC Pinheiros. Mas não façam como eu, que vou deixando, deixando, deixando e quando me dou conta, a exposição terminou. A mostra dos 500 anos do Descobrimento tive que ver no Rio, porque aqui em São Paulo ela só ficou 6 meses!!

Ed Viggiani lança seu olhar sobre o Brasil



No sábado vi a exposição do Ed Viggiani, fotojornalista de primeira, que lança seu olhar em branco e preto sobre o Brasil e seus homens, mulheres e crianças. Sempre fui fã do trabalho dele, desde que moramos no mesmo período em Fortaleza, nos idos anos 80. Ele traballhando no jornal O Povo e eu no Diário do Nordeste. A fotografia do Ed é poesia pura, é sentimento. Num acidente no Rio de Janeiro, enquanto estava a serviço de uma revista, ele perdeu o olho direito. Fotógrafo que perdeu um olho? Ih, danou-se!

Danou-se nada! Não foi esse o caso do Ed. Ele é um entusiasta. E, é claro, tem momentos de raiva, de incorformismo com tudo que rola de errado e de ruim no nosso país, mas a arte dele está lá, denunciando isso.

E o Ed que tem um coração enorme. É solidário com os amigos que se vêem na pior e está sempre disposto a ajudar, por exemplo, cedendo fotos pra leilões.

E como ele é boleiro, e corinthiano, escolhi essa foto, que é uma das que eu mais gosto. Foi tirada em 95, em Ribeirão Preto, num Corinthias x Palmeiras.

Quem quiser ver/conhecer o trabalho do Ed Viggiani, veja a dica aqui:
Exposição “Meu Olho Esquerdo”
De 20/9 a 1/11/2009 (de terça a domingo, das 9 às 21h)
Entrada franca
Local: Caixa Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - São Paulo (SP) - Galeria Humberto Betetto

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre o que postar e o como postar nos blogs

No começo da semana participei do debate sobre os blogueiros da alimentação, na Livraria Cultura. Ali se falava, entre outras coisas, sobre a responsabilidade sobre o que se publica nos blogs. Esse debate começou porque até o advento dos blogs, a dita crítica gastronômica era feita somente nos jornais e seguia determinados padrões para isso. Mas ela se transferiu rapidamente para a blogsfera. Além de comentários sobre determinados bares, restaurantes, estabelecimentos comerciais da área de alimentação, alguns blogueiros se alçaram a verdadeiros críticos da gastronomia. E se discutia ali os limites daquilo que se publica nos blogs.

Coincidentemente hoje pela manhã li no site do jornal A semana, de Cabo Verde, a nota "Post de brasileira sobre culinária de Cabo Verde provoca onda de indignação", sobre um texto que uma das responsáveis pelo blog "Rainhas do Lar" escreveu sobre uma viagem que ela fez a Cabo Verde em agosto, para dar um curso de culinária no Centro Cultural Brasil – Cabo Verde (CCBCV). No blog, ela teria escrito esta frase infeliz sobre a alimentação dos caboverdianos "o que para mim é descartado como lixo, é degustado com prazer pelos nativos". O texto em si, é um retrato daquilo que ela viu lá, mas essa frase calou fundo nos caboverdianos. Não é preciso dizer que isso quase causou uma crise diplomática. Resultado: foram tantas os protestos que o post desapareceu do blog, e segundo o site A semana, ela teve que se desculpar junto à embaixada brasileira de lá.

Mas como a blogosfera é ágil, e como diz o ditado popular, o estrago já estava feito. Milhares de pessoas já haviam lido e reproduzido o que ela havia escrito.

Bem, fica aqui uma pequena lição: por mais que determinadas coisas não nos agradem, é preciso respeitar a cultura dos lugares por onde a gente anda.


O que A semana publicou

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Artesanato, comida típica, folclore: começa o Revelando São Paulo


Todos os anos o Revelando São Paulo traz para o Parque da Água Branca o que o estado de São Paulo tem de mais característico em comidas, artes, manifestações culturais e outros quetais. Eu adoro passear no meio daquele colorido porque amo artesanato e ali tem de tudo um pouco – bordado, tapete, crochê, barro, madeira e as obras de arte dos figureiros de Taubaté. Serão 155 estandes de artesanato. Na área das comidas, sempre ataco o bolinho caipira, feito de farinha de milho e recheados com carne moída. Mas é muito legal ver os tachos fumegantes de arroz, feijão, azul marinho (peixe cozido com banana verde), entre outros que vão ser feitos em 40 fogões à lenha, nos 80 estandes de culinária. Os doces então, nem se fala. Tem de abóbora feito no cal, cajuzinho, pau-a-pique, e muito mais.

Entre as atrações vai ter Folias de Reis e do Divino, o Cortejo de Bonecões, Orquestras de Viola, Violeiros e Sanfoneiros, grupos de Catira, Fandangos e Cururus, Congos e Moçambiques, Serestas e as Noites dos Tambores, Cigana, Quadrilhas e das Manifestações Cosmopolitas, Cavalgadas, Cavalhadas, Tropas de Mulas e Carros de Bois etc.

Programação completa no site do Revelando São Paulo

Primavera dos Livros - 10 a 13/9 no Centro Cultural

Até domingo dia 13/9 quem gosta de livros como eu pode aproveitar a Primavera dos Livros. Estarão à venda mais de 7 mil títulos, com descontos que variam de 10% a 40%. A Primavera acontece nos anos em que a Bienal do Livro está em outro lugar. É promovida pela LIBRE (Liga Brasileira de Editoras), que reúne as pequenas e médias editoras brasileiras. Tem uma programação imensa de lançamentos, debates, espaços pras crianças etc. Tudo no site da LIBRE.

A Editora Fundação Perseu Abramo vai lançar no dia 12/09 (sábado), às 14h, o livro O Curso das Ideias – A história do pensamento político no Brasil e no mundo, do ex-senador Roberto Saturnino Braga, e vai promover, no domingo, às 15hs, uma rodada de conversas sobre a Leitura na Era Digital, com a participação de João Brant (Coletivo Intervozes); Sergio Amadeu (Faculdade Casper Libero) e Alonso Alvarez (Editora Ficções). Brant e Amadeu são autores do livro Comunicação Digital e a Construção dos Commons.

Primavera dos livros: Centro Cultural Vergueiro - rua Vergueiro, 1000, Paraíso (Estação Vergueiro do Metrô), das 10h às 22h, entrada gratuita.

O Balaio do Kotscho faz 1 ano


11 de setembro não é só a data do ataque às torres gêmeas, mas também do nascimento do blog do Ricardo Kotscho, figura querida que os tombos, trancos e barrancos não conseguiram mudar. Continua o mesmo de sempre: crítico quando precisa ser, calado quando precisa ser, alegre quando precisa ser. E bom coração sempre. Mas como ninguém é perfeito, ele é sãopaulino! É isso aí Kotscho, espero que seu blog continue firme por muito tempo. A internet oferece zilhões de coisas, mas as de qualidade a gente precisa garimpar muito pra achar. Ainda bem que esbarrei no seu balaio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Debate na Cultura: blogueiros da alimentação



Taí, a próxima edição do Entre estantes e panelas será no dia 14/9, às 18hs, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Tenho acompanhado esses debates e tem sido muito interessante. Dessa vez, uma das blogueiras convidadas é a Neide Rigo, do Come-se e do Slow Food. Confesso que tenho feito diversas receitas que ela indica no blog. A última foi a conserva de limão siciliano que fiz com um saco de limões que ganhei em São Roque. Outro dia fiz a de conserva de chuchu que ela costumava comer em Fatura, tamem no interior de São Paulo. As receitas são ótimas e dão certo. Podem apostar e fazer.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

De Milton Guran sobre João Roberto Ripper

Pedi ao amigo Guran, que é fotógrafo e antropólogo, algumas linhas sobre o Ripper (à direita na foto que tirei em Brasília, ele estava com o Tiago Santana). Nem preciso dizer que o Guran é tão fã do Ripper e do trabalho dele como eu.

"Cartier-Bresson dizia que fotografar é por cabeça, olho e coração em uma mesma linha. Pois há mais de vinte anos Ripper conjuga lucidez política com um olhar fotográfico irrepreensível a serviço da sua enorme generosidade, nos dando uma das mais instigantes e eloqüentes obras documentais. Para ficarmos em dois exemplos: sua saga contra o trabalho escravo e a implantação da bem sucedida Escola de Fotógrafos Populares, uma referência nacional em inclusão visual."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ripper expõe em São Paulo. Vale a pena ver.

O Ripper está em São Paulo. Ou pelo menos uma parte dele. Até 27 de setembro as fotografias do Ripper podem ser vistas na CAIXA Cultural da Sé, na exposição Imagens Humanas. São 70 ampliações e um painel com cerca de 200 retratos de brasileiros de todo o país e das mais diversas raças. As duas fotos do post são dele.

O Ripper é carioca de nascimento, mas é brasileiro de coração. Ele olha praquele cidadão anônimo, aquele que ainda nem sabe que tem direitos, aqueles que acham que são os políticos que lhe proporcionam um feijão na panela, um caderno para o filho. Ele olha praquelas mulheres que carregam os filhos, a casa, os homens nas costas. E olha também praquelas crianças que, muitas vezes, deixam de ser crianças muito cedo ou nem mesmo passaram por essa fase. Pularam etapas. Nascimento e morte.

Se existe uma pessoa desprovida de interesse material pessoal, essa pessoa é o Ripper. Tudo o que faz, é para investir nos outros. A fotografia, o jornalismo, só tem valor se for pra ser repassado pras novas gerações. Ele é dos que ainda acreditam que a fotografia pode transformar pessoas e sensibilizar outras. Não esquecer jamais que brasileiros como nós estão vivendo em condições subhumanas e que nós temos sim uma parcela de responsabilidade pra mudar essa situação.

É o denuncismo, puro e simples? Não. Com o Ripper não é assim. Ele dedica a vida aos outros. Desenvolveu a habilidade de olhar e de fotografar. Agora passa isso para jovens carentes. Quem sabe essa não é a porta pra transformação desses nossos irmãos?

Serviço
Exposição Imagens Humanas - João Roberto Ripper
Homepage: www.imagenshumanas.com.br
CAIXA Cultural SP Sé - Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP
De 15/8 a 27/9/2009
Horário: terça a domingo, das 9h às 21h.
Debate: 09 de setembro, às 19h

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O bar mudou pra calçada

Finalmente os cariocas podem dizer que os paulistas os imitam. Com a adoção da lei antifumo, muitos bares transformaram suas calçadas em ponto de encontro de fumantes e adotaram as mesas altas pra apoiar copos, garrafas, cinzeiros, tão comuns no Rio. O Veloso adotou essas mesas desde a inauguração.

Patty Difusa, esperta que é, já descobriu que as calçadas estão ficando muito interessantes! Ou seja, a união de bebida, cigarro e papo parece que está ganhando a parada. Pobres dos não fumantes, que ganham no quesito qualidade do ar, mas perdem no quesito paquera.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O que os militares registraram sobre a esquerda brasileira


Ontem tive o prazer de participar do bate-papo com o jornalista Lucas Figueiredo no SESC Vila Mariana. Digo prazer porque o Lucas é um dos jornalistas que ainda honram a profissão e faz seu trabalho da forma mais responsável e ética possível. Ele acabou de lançar o livro Olho Por Olho - Os Livros secretos da ditadura (Ed. Record) sobre dois livros que contam - cada qual à sua maneira - os acontecimentos do período da ditadura militar. De um lado, o “Brasil: nunca mais”, livro organizado por Dom Paulo Evaristo Arns e cuidadosamente elaborado durante seis anos e que deu visibilidade à ação das Forças Armadas contra os militantes de esquerda (tortura, mortes, desparecimentos); de outro lado, o Orvil (livro, ao contrário), elaborado por integrantes do Exército e que conta, sob a ótica dos militares, o que de fato teria acontecido durante o regime militar. Este livro nunca foi publicado, segundo Lucas, a pedido de José Sarney, então presidente da República, ao general Leônidas Pires Gonçalves que era ministro do Exército.

Durante o bate-papo, Lucas contou como viu o livro - um dos únicos 15 exemplares existentes - e como conseguiu copiá-lo. O que o livro contém são relatos minuciosos sobre a movimentação dos militantes de esquerda durante o regime militar. Inclui o relato detalhado dos últimos dias de 24 guerrilheiros, cuja existência até então era negada pelo próprio Exército.

Ao ser questionado sobre a abertura total do conteúdo do Orvil, Lucas disse que ali estão relatos que podem transformar vidas porque há registros de muitos militantes que sob tortura entregaram os nomes de outros militantes, outros ainda, têm sua morte relatada com detalhes das crueldades praticadas. Outros dados ainda, apontam, do ponto de vista conservador, as opções/orientações adotadas por militantes. Por tudo isso, Lucas acredita que é melhor que o livro fique aos cuidados de instituições que podem lidar com seu conteúdo de forma cuidadosa, por exemplo, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH), o Ministério Público, entre outros.

De qualquer maneira, os fatos que vêem à tona com a divulgação de arquivos como estes do Orvil, do livro Direito à Memória e à Verdade (da SNDH), do Brasil Nunca Mais, e outros, ainda não são suficientes para trazer à tona o que de fato aconteceu durante o regime militar. Mais de cem militantes continuam desaparecidos. E só mesmo os que comandavam as Forças Armadas na época podem dizer o que foi feito deles.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Uma festa pra quem gosta de produtos naturais e orgânicos

Até domingo acontece no prédio da Bienal, em São Paulo, as feiras Bio Brazil Fair - Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia e a Natural Tech 2009 – Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde, e paralelamente, a semana do vegetarianismo. É um evento anual que mostra novos produtos orgânicos que chegam ao mercado e também os que já existem, além de apresentar as tendências do setor. Tem pra todo mundo: atacadistas, distribuidores, exportadores, importadores, fabricantes, lojistas, hotéis e restaurantes, supermercados, processadores, produtores e profissionais de saúde. É o lugar onde produtores orgânicos apresentam suas produções, e onde apreciadores do slow food se encontram pra trocar idéias e pra saber o que anda acontecendo de novo no setor.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lúcio Flávio Pinto: a voz castigada da Amazônia

Conheci o Lúcio Flávio na década de 1980, quando engrossei o movimento de defesa da democratização dos meios de comunicação. De lá pra cá, volta e meia, recebia a notícia de que um novo processo estava sendo movido contra ele. Ele é a voz viva da Amazônia. Faz jornalismo de verdade e quando faz isso, bate de frente com os que detém o poder.

Na semana passada ele foi condenado numa das quatro ações movidas pelos donos do grupo O Liberal, do Pará. Condenado, não pode sair do estado para participar do 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, onde seria homenageado. O texto abaixo é um extrato do que foi lido por seu filho na abertura do evento. Quem quiser ler o texto todo, pode acessar o site da Adital (Agência de Informação Frei Tito para América Latina)

"...

Sei que o que vi e sobre o que escrevi é a própria história em processo, uma história como poucas houve e, espero, poucas voltarão a se repetir, com suas cores dramáticas e infamantes. Com os olhos de um adolescente de 16 anos, vi cientistas de todo mundo reunidos em Belém, no centenário da mais antiga instituição de pesquisa regional, o Museu Paraense Emílio Goeldi. Percebi então que a Amazônia á uma questão planetária, que, para o bem e para o mal, não pode ser tirada desse âmbito mais amplo. Aos 18 anos, fiz a primeira viagem à Serra dos Carajás, que se constituiria a maior província mineral do mundo.

Aprendi que a riqueza do subsolo da Amazônia lhe impõe este como o primeiro desafio de inserção global. Conheci muitos bravos personagens da história amazônica que perderam seu papel nesse drama por terem sido assassinados, como Chico Mendes, Gringo e centenas de cidadãos esmagados pelo trator da história oficial. Fui testemunha, às vezes solitária, de acontecimentos únicos, como o ingresso, no rio Jari, da fábrica e da termelétrica trazidas do Japão pelo milionário americano Daniel Ludwig, com quem tercei armas. Fui alvo de ameaças e vítima de agressões. Aos poucos, minha indignação foi crescendo e meu desejo de intervir nessa realidade extrapolou limitações. Não só escrevia, em todos os lugares que se me oferecessem. Também bradava aos quatro ventos, num circuito de palestras dentro e fora do Brasil que se expandiu em espirais.

Tanto escrevi e tanto disse que meu texto se tornou lido e minha voz, ouvida. Passei a incomodar, acho que em especial porque a força da minha indignação não alterou o meu compromisso com a verdade, no desempenho técnico da minha função de reportador dos fatos, escrivão do cotidiano. Era tão incômodo ouvir o que eu dizia quanto difícil desmentir o que eu divulgava. Cometi o pecado mortal de incomodar os manipuladores da verdade e os donos do poder. Não por mera coincidência, em plena democracia, me tornei um dos jornalistas mais processados e condenados, principalmente por outros cidadãos que alegam intimidade com o jornalismo, já que possuem empresa jornalística. Com o toque sugestivamente kafkiano de que, queixando-se de serem vítimas de minhas inverdades, não utilizam seu enorme poder de comunicação para contrapor a elas suas verdades, em debate público. Pelo contrário, fazem da técnica do silêncio, combinada com a utilização do maleável poder judiciário, enquanto força pretoriana a serviço dos seus objetivos e caprichos, o instrumento para me esmagar e destruir."

terça-feira, 21 de julho de 2009

E ele gritou


Um certo dia ele quis gritar assim. Seu rebento morreu. Ele não podia fazer mais nada. Nem gritar. Então, eternizou o grito esculpindo este grito que atravessa o mundo até hoje.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Será que a Conferência de Comunicação vai virar pizza?

No começo de dezembro deste ano acontece a Conferência Nacional de Comunicação, chamada pelo governo federal. Até agora, o governo Lula já realizou inúmeras conferências, mas esta promete ser a mais custosa, politicamente falando, tanto para o governo como para o movimento social.

Em nenhuma das conferências o empresariado esteve tão organizado como os proprietários dos jornais e revistas, TV, rádio, e, agora, junte-se a eles os representantes das teles que querem entrar no ramo das TVs digitais.

Mas a voz corrente entre os que participam da organização da Confecom é a de que ninguém deve esperar milagres, ou seja, democratização do acesso aos meios de comunicação, regulamentação das concessões de rádio e TV, controle público etc.

De qualquer forma, é uma conferência que está mobilizando gente de todo o país, das mais diversas áreas: sindicatos, universidades, ONGs, igreja e muito mais gente. Só por isso já está valendo.

No mais, o que esperar da conferência, quando o Ministério das Comunicações é comandado pelo Hélio Costa?

Mas estudiosos como Venício Lima, da UnB, acham que o país deve aproveitar o momento de preparação da conferência para que sejam debatidos temas como a questão da propriedade dos meios de comunicação, hoje concentradas nas mãos de algumas poucas famílias, e também o uso das concessões públicas, que hoje são comercializadas como bem privado.

Outro ponto que Venício Lima aponta: é preciso denunciar os desmandos cometidos pela mídia: distorções da realidade, parcialidade nas reportagens, omissões etc.

O Venício, por sinal, parece um paladino que vai de canto em canto do país falando sobre isso e alertando os movimentos sociais pra não perderem esse momento tão importante.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pra quem gosta de jornalismo e literatura

Muita gente tentou ver Gay Talese na Flip e no MASP, mas não conseguiu. Mas ainda dá tempo pra saber o que um dos ícones do jornalismo literário anda pensando sobre as coisas em tempos de Obama. Talese é autor de O reino e o poder (sobre o New York Times), A mulher do próximo, Fama e anonimato, entre outros. A entrevista que ele deu ao Roda Viva vai ao ar na segunda-feira, dia 20, às 22h10.

Outro jornalista que envereda pela literatura é o Lucas Figueiredo, que participa do Sempre um papo no SESC Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, de graça) no dia 30/07, quinta-feira, às 20h00. Ele vai falar sobre o último livro Olho por Olho: os Livros Secretos da Ditadura (ele é autor de Ministério do Silêncio e Morcegos Negros, ambos sobre a história recente do Brasil).

Do material de divulgação do “Sempre Um Papo” sobre o último livro do Lucas: De acordo com o autor, a guerra entre os defensores e os opositores da ditadura militar no Brasil (1964 a 1985) foi longa e suja. O que durante duas décadas não se soube é que o confronto derradeiro mobilizou menos de 40 combatentes de cada lado, foi silencioso — quase invisível — e durou 28 anos: de 1979 a 2007. Um conflito que extrapolou, assim, o próprio período da ditadura. A última batalha dessa guerra foi travada por dois livros. “Brasil: nunca mais” — a “bíblia” sobre a tortura praticada pelas Forças Armadas — e o menos conhecido “Orvil”, a resposta do Exército, sobre a guerrilha e o terrorismo de esquerda. Os bastidores dessa batalha, com detalhes de cortar o fôlego, estão reunidos no livro “Olho por Olho: os Livros Secretos da Ditadura”. Na obra, Figueiredo — com três Prêmios Esso de Jornalismo no currículo — revela toda a tensão dos seis anos de trabalho sigiloso do “Brasil: nunca mais”.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A pintura da discórdia



A reforma da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, continua causando polêmica entre católicos, apreciadores de arte, artistas, moradores etc. Todo mundo acabou se metendo na briga. Nada disso estaria acontecendo se lá pra trás alguém não tivesse raspado a pintura original de Volpi. O pintor contratado não agradou a todos. Muitos acharam festivo demais, outros acharam que está quase igual à pintura de Volpi, outros acham que não deveria ter nada nas paredes.

Tudo que sei é que a igrejinha é linda, os azulejos de Athos Bulcão maravilhosos.

E por falar em Athos, vi este cartaz que a Cãmara dos Deputados fez quando o homenageou pelos 90 anos. Lindo.

O açougue cultural T-Bone


Numa parada de ônibus da avenida W3 Norte (no Plano Piloto de Brasília), vi uma estante com livros para empréstimo. Li as regras e vi que era muito interessante. Comentei com amigos de lá e me disseram que era um açougueiro, o T-Bone (originalmente Luis Amorim) que começou emprestando livros no próprio açougue e depois expandiu para os pontos de ônibus. Se devolvem os livros? Devolvem. E dizem que a taxa de devolução é maior que em bibliotecas normais. Achei demais.

E o que começou com uma pequena biblioteca comunitária, virou espaço cultural, com direito a apresentações literárias, saraus etc. Ótimo exemplo a ser seguido.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Programa "O Guia", do Josimar Melo estréia dia 12

Serão 13 programas feitos para o Canal National Geographic em oito países da Europa e da América Latina (só três no Brasil), nos quais o Josimar vai mostrar comidas, temperos, histórias e costumes características dos lugares. Começa em Paris e daí segue. Em cada lugar, o programa tem um roteiro diferente, ligado a algum aspecto do lugar (Espanha, com Dom Quixote, Inglaterra, com James Bond etc.). Diz o site do NatGeo (a foto também é deles), que ele não vai pra cozinha, mas vai mostrar o que se faz em cada lugar.

Por onde ele andou: Paris e Normandia (França); Londres; La Mancha e Salamanca (Espanha); Toscana e Sicília (Itália); Istambul (Turquia);
Bahia, Minas Gerais e Amazonas (Brasil); Lima (Peru); e Buenos Aires (Argentina)

Algumas passagens interessantes (tiradas do site NatGeo): em Paris, Josimar vai ver como funciona, quais são os critérios, quem são os responsáveis pelas resenhas do Guia Michelin, entre outros, encontra com Alain Passard e Alain Ducasse; na Toscana, entrevista Dario Cecchini, considerado o maior açougueiro do mundo, vai atrás da trufa branca nas colônias locais, e visita a Enoteca Pinchiorri, em Florença; na Bahia ,visita Dona Canô, a fábrica de charutos Menendez Amerino, a Feira de São Joaquim, o terreiro de Pai Marivaldo, e o Varal da Dadá.

Os programas vão ao ar sempre aos domingos, às 20hs, por 3 meses. A programação completa e o conteúdo dos programas podem ser conferidos no site da emissora.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O encantador Jun Sakamoto

Nem a pé, nem de ônibus, nem de pau-de-arara. Foi num fusquinha que os Sakamoto saíram de Presidente Prudente e vieram para São Paulo, trazendo além dos cinco integrantes da família, o cachorro. Entre os passageiros, estava o garoto Jun Sakamoto. Num bate-papo na Fundação Japão, Jun contou essas passagens e mais algumas muito curiosas sobre sua aprendizagem no mundo dos sushis. 15, 20 anos pra aprender a fazer um bom sushi? No começo ele achava exagero, mas depois de passar por Nova York, Japão e inúmeros restaurantes, acha que é isso mesmo. Só dá pra aprender fazendo, fazendo, fazendo. Bons mestres também são fundamentais. E no caso dele, seu maior mestre foi Takatomo Hachinohe, fundador do Komazushi, um dos restaurantes mais famosos de São Paulo. Hachinohe teria reconhecido em Jun qualidades de um sushiman, e este, aproveitou o que podia. Jun assumiu os sushis do restaurante do mestre após sua morte, a pedido da viúva e da filha dele.

Para Jun, a comida tem que encantar, tem que ter alma. Se não encantar, então não é boa. Ele citou o Mocotó do Rodrigo Oliveira, outro encantador. E os dois até que se parecem, começam tímidos, mas quando o assunto comida toma conta da conversa, se soltam totalmente. Estão em casa.

Se o segredo da comida, está no encantamento, o do sushi está no arroz. Esses dois aprendizados foram os mais importantes da vida de Jun, que aos 43 anos, comanda seu próprio restaurante mantendo práticas que os velhos mestres adotavam para garantir qualidade: escolhe pessoalmente tudo o que utiliza como o peixe, o arroz, o shoyu, o wasabi e o vinagre etc.

Ao ser questionado sobre os utensílios que utiliza, ele falou sobre a importância da faca e de outros itens importantes da cozinha, mas deixou claro que isso não é o essencial. Afinal, "culinária não é razão, é emoção, os utensílios não passam de instrumentos, mas se for possível, utilize o melhor". Ele citou o ex-nadador Carl Lewis: Ele não era o melhor nadador porque usava a melhor sapatilha, mas, com certeza, usava a melhor sapatilha.

O bate-papo fez parte de um ciclo de três palestras sobre gastronomia japonesa, promovido pela Fundação Japão: a primeira, com Josimar Melo, e a segunda, com Arnaldo Lorençato. O ciclo todo foi muito interessante porque fugiu do lugar comum de culturar personalidades. Foi uma troca de experiências entre pessoas que têm em comum a curiosidade e o amor pela gastronomia japonesa, que conseguem enxergar num prato de comida muito além do que uma simples mistura de ingredientes e temperos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

E o sushi foi parar na churrascaria!

Na quarta-feira fui assistir à palestra do Arnaldo Lorençato sobre culinária japonesa na Fundação Japão. Só o conhecia de nome, como crítico gastronômico da Vejinha SP. Fiquei surpresa ao ver que ele é muito mais que um apreciador da comida japonesa. Ele é um conhecedor da cultura e da gastronomia japonesa.

No começo da apresentação dele, ele exibiu um pequeno trecho do filme Noite vazia, que o Walter Hugo Cury fez em 1964. O filme mostra Odete Lara e Norma Bengell (no papel de duas prostitutas) com um cliente num restaurante japonês da Liberdade e a cena que dá inicio ao filme, mostra a cara de pouco caso das duas com a comida do lugar, só esperando a hora de sair dali pra comer uma pizza. Foi interessante o Lorençato mostrar esse trecho do filme no contexto da gastronomia, porque eu o tinha assistido nos anos 1970 quando estava na faculdade e só me lembrava dele como um filme interminável, com algumas pessoas presas entre quatro paredes numa conversa também interminável.

Mas voltando à culinária japonesa, o crítico lembrou que nos anos 1960 era totalmente estranho alguém sair de casa pra comer comida japonesa. Peixe cru, então, nem pensar! Ele também disse que era impensável que a cidade de São Paulo um dia viria a ter mais restaurantes japoneses do que churrascarias. E o que dirá das churrascarias colocarem sushi nos buffets! Temakeria? É moda daqui. A mistureba de sabores? Também. Pra quem quiser saber mais sobre sushis, a revista Made in Japan nº 66 publicou uma matéria extensa sobre o tema (a foto é da matéria)

Sei que meus amigos me chamam de japa paraguaia porque não como peixe nem carne crus, mas eu preservo muitos dos ensinamentos de minha mãe, e um deles é: quanto mais perto do original, ou seja, quanto menos frufru, melhor a comida. O sushi e o sashimi eram comidas servidas nos dias especiais, não era do dia-a-dia, afinal, quem tinha tempo pra ficar enrolando arroz nas algas? Mas o que eu ainda mais gosto é do makizushi, aqueles que os brasileiros chamam de "pneuzinhos" e outros de futomaki (foto) - de alga nori (preta) envolvendo o arroz e um recheio de cenoura, nabo seco, gengibre e o kamaboko (pasta de peixe) cozidos. É delicioso.

Os cozidos também sempre fizeram parte da mesa lá de casa. O melhor era um que se cozinhava num caldo de peixe, shoyu e alga e misturava inhame, nabo, cenoura, gobô (bardana), shitake, tiquá (pasta de peixe), tofu, e uma espécie de gelatina (que eu não gosto até hoje) que é o konnyaku (pasta de raiz konnyaku). Mas o cozido era fantástico e era presença obrigatória em qualquer almoço especial ou festa. Sempre faço em casa, com bastante inhame.

Bem, o ciclo sobre culinária japonesa, que começou com o Josimar Melo, termina na próxima quarta, com a palestra da Jun Sakamoto.

O novo homem

Só uma curiosidade. Folheando um catálogo da Avon me deparei com a oferta de uma camiseta modeladora para homens. É a Esbelt camisete skin masculino. A promessa? Comprime e afina o abdômen. O custo? R$ 99,90. Sempre vejo matérias de homens que frequentam o pedicuro, fazem massagem, lifting e outros tratamentos de beleza, mas modelador? Essa é nova.

E por falar em novo homem, assisti à peça escrita pelo Contardo Caligaris - O Homem da Tarja Preta - sobre o novo homem e suas agruras. Agrura mesmo foi ficar até o fim, a peça era cheia de clichês. Só fiquei até o fim em respeito ao ator, o Ricardo Bittencourt, que era muito bom. A gente vai ao teatro ou ao cinema movido por um diretor, por um roteirista, por um ator. E chega lá...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os 65 anos do Chico


Só pra registrar. Hoje é aniversário do Chico.

A foto é um detalhe de um lindo poster que o Douglas Mansur fez há alguns anos.

À procura de um olhar: Fotógrafos franceses e brasileiros


O time de fotógrafos é este: Pierre Verger, Marcel Gautherot, Claude Lévi-Strauss, Jean Manzon, Bruno Barbey, Olívia Gay e Antoine D’Agata, Mauro Restiffe, Tiago Santana (foto acima), e Luiz Braga.

Por aí já dá pra sentir que a exposição À procura de um olhar: Fotógrafos franceses e brasileiros que está na Pinacoteca é sensacional. Diante de algumas imagens dá vontade de chorar. A realidade crua, bonita, feia, cruel, tudo ali, na sua maioria em preto e branco. Tiago Santana é, sem dúvida, um dos melhores do Brasil e foi ótima escolha pra representar nossos profissionais.

A exposição faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil e fica na Pinacoteca até 28 de junho de 2009.

Afinal, como morre o peixe?

Na quarta, 17, assisti ao bate-papo com o Josimar Melo na Fundação Japão. Ele foi convidado pra falar sobre as impressões gastronômicas do estrangeiro - ele, no caso - numa viagem ao Japão. Ele esteve no Japão pela primeira vez há mais ou menos 14 anos e falou sobre as diferenças que encontrou em fevereiro passado, quando ficou por lá uns 15 dias participando de um evento gastronômico que reuniu os bam-bam-bam do mundo como Ferran Adriá, Heston Blumenthal e outros, e de ficar comendo nos melhores restaurantes. Algumas coisas interessantes do bate-papo: os ingredientes lá não são tão variados, mas os japoneses fazem questão de consumir o melhor que existe deles, por exemplo, na própria estação de cada alimento.

Ao falar da frescura dos alimentos, ele contou sobre a técnica de se matar o peixe e cortá-lo na mesma hora. A primeira técnica, seria a de um corte incisivo na nuca (peixe tem nuca?), e a segunda, seria a de enfiar uma espécie de arame bem no olho do peixe pra atingir esse ponto lá atrás. Nas duas opções, a morte do bichinho é súbida, porém ele continua se movimentando. Dá a impressão de que ele está sendo cortado vivo. Meio sádico, não é?

Daí ele disse uma coisa curiosa sobre a frescura do peixe (a gente não para pra pensar muito nisso). Quando uma pessoa diz que o peixe que comprou está fresco, só pode afirmar isso se o mesmo estiver vivo ou recém pescado. Segundo Josimar, a compra do peixe pode ser fresca, mas na maioria das vezes, os consumidores compram os bichinhos do feirante, que por sua vez comprou do vendedor do Mercadão, que por sua vez comprou dos vendedores do Ceasa, que por sua compraram dos barcos de pesca que estão no mar por períodos de até 30, 40 dias. Ou seja, quem é o fresco na história?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Êita frio danado!

Junho pra mim, é como fim de ano. Se não fizer alguma coisa, parece que fiquei devendo. Traduzindo, se em junho não for a alguma festa junina, parece que ficou um buraco. Acho que é por isso que todo dou a maior corda pra fazermos a festa junina no meu trabalho. O lugar é propício, uma casa enorme, com um quintal bem amplo. Este ano, com o frio que anda fazendo, estamos pensando até numa fogueira. O que não pode faltar?

O buraco quente.

Na primeira vez que falei em buraco quente o povo olhou feio, achando que eu tava de gozação, não não era não! Buraco quente é a melhor invenção de todos os tempos. Pra quem ainda não foi apresentado, trata-se de carne moída refogada com cebola e tomate, com bastante tempero - sal, pimenta, coentro, cebola e azeitona. Fica bem molhada. Daí abre-se um buraco num lado do pão francês e dá-lhe carne moída. A carne deve estar quente, e o pãozinho, bem fresquinho.

Quer mais? O resto, a gente nem fala porque tem sempre - quentão, vinho quente, paçoca, pé de moleque, bolo de milho, cuscuz, bingo etc. Eu adoro!

100 Patativinhas em Santo Amaro

Olha só que legal. Falei sobre a exposição e o filme sobre Patativa do Assaré e a Andréa de Sousa, coordenadora de Projetos de Leitura da Biblioteca Belmonte, em Santo Amaro, mandou o convite: dia 24 de junho, às 14hs, na Pça. Floriano Peixoto em Santo Amaro, vai acontecer mais uma edição do "O DIA EM QUE SANTO AMARO VIROU ASSARÉ, O CORTE VIROU NINHO E 100 PATATIVAS CANTARAM NA PRAÇA". Desde maio, o projeto reúne estudantes de escolas públicas do ensino fundamental, que vão à Biblioteca Belmonte-temática em cultura popular,visitam exposição, assistem a documentários e participam de oficina de cordel a partir da vida e obra de Patativa de Assaré. Diz a Andréa: "no dia 24, 100 'patativinhas' trajando figurinos e adereços 'à lá Patativa' saem em 'vôo-cortejo' da Biblioteca até à Praça e em um ninho estilizado cantam, declamam Patativa. Após, uma aula-show com 6 mestres da cultura popular." Quem quiser saber mais, é só ligar para 11-5687.0408 e 5691.0433.

Acho demais essas iniciativas que colocam as crianças em contato com nossos criadores, sejam eles poetas, escritores, músicos etc. E da forma mais lúdica possível. Não é gostoso aprender desse jeito?

Um dias desses assisti a um debate na Fundação Perseu Abramo com o José Castilho, da Unesp e do Programa Nacional do Livro e da Leitura, a Lúcia Rosa, idealizadora do Projeto Dulcinéia Catadora, e o Sérgio Vaz, poeta e fundador da COOPERIFA. É impressionante a quantidade de ações de incentivo à leitura que estão pipocando pelo país afora. Incrível mesmo porque essa é uma das coisas que penso fazer no futuro. Quem sabem montar uma biblioteca numa garagem de uma casa para os passantes, como fez um rapaz no interior de São Paulo.

Nada de substituir as bibliotecas públicas, que agora o governo federal pretende que sejam de acesso público, o que faz muita diferença. De um lugar onde se exige silêncio e parcimônia para folhear livros, passaria a ser um lugar de convivência, onde lidar com livros seja uma atividade prazeirosa tanto para os estudantes como para a comunidade. Esse é um sonho que muita gente que ama os livros acalenta há muito tempo. Parece que está perto de acontecer.