domingo, 4 de dezembro de 2011

Meu outono em Londres



Fiquei 20 dias de novembro em Londres e cinco no interior da Inglaterra.  A intenção era fazer uma imersão pra ver se destravava o tal do inglês. Nunca tinha me aventurado em países que só falassem inglês, mas tomei coragem e fui. Tive a felicidade de pegar um outono atípico (pouco frio e sem chuva). A temperatura não desceu dos 5º e a chuva só castigou dois dias. As árvores perdendo suas folhas amareladas pelas ruas e parques estavam lindas. Passar um dia de sol no amarelado Hyde Park não tem preço.

A cidade respira cultura. Os museus são de graça. Só as exposições temporárias são cobradas – e muito bem cobradas por sinal. Consegui ver a exposição “Leonardo Da Vinci, pintor da corte de Milão”, disputadíssima. Também vi exposições sobre a diápora africana e muitas outras de fotografia.

O que mais surpreende em Londres, é a diversidade. Gente de todas as partes do mundo – moradores e turistas – falando línguas complemente diferentes e muito inglês diferente também. Ouvir japoneses, turcos, chineses, indianos etc. discutindo no metrô em inglês é a coisa mais curiosa do mundo. Outras vezes, no meio do zum-zum-zum não se ouvia uma única palavra em inglês.

E essa diversidade é o que salva a gente em Londres. Se dependesse da comida dos ingleses, a gente passaria fome, porque não tem graça e criatividade nenhuma. Tempero? Só o sal e a pimenta que ficam na mesa. Pra quem duvida que o sanduíche foi inventado por um inglês, basta ver as prateleiras dos supermercados pra ter uma ideia de como comem os ingleses. Centenas de sanduíches são repostos todos os dias nas prateleiras de supermercados e lojas de conveniência. A sessão de comidas prontas também merece um registro – arroz com frango ao curry, salada de macarrão com atum, cuscuz com cordeiro ao molho e outras invenções.



Os mercados de Londres

Os mercados são um capítulo à parte. Adoro fazer coisas ao ar livre e sempre que posso, vou pra rua pra ler, apreciar a cidade ou ver alguma exposição. Então, aproveitei pra conhecer os mercados de rua de Londres. A maioria  acontece nos finais de semana e à exceção de Spitafields, que fica numa área coberta, o restante ocupa as ruas. Me surpreendeu a quantidade de comida orgânica oferecida nesses mercados: frutas, verduras, legumes, pães, doces, embutidos etc.




Na cola dos The Beatles em Liverpool

Assisti na TV a dois documentários sobre os Beatles enquanto estava em Londres fazendo o curso. O primeiro, foi o filme "Nowhere Boy", ( http://www.nowhereboy.co.uk/ ) filme dirigido por Sam Taylor-Wood sobre a infância e juventude de John Lennon, com a Kristin Scott Thomas fazendo o papel da tia Mimi que o criou e Anne-Marie Duff, como Julia, a mãe biológica. O segundo foi um documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison. Daí, quando fui pra Liverpool e visitei a exposição “The Beatles story”, mergulhei de cabeça. É uma exposição interativa que mistura fotos, depoimentos, vídeos e outros recursos. Depois de acompanhar passo a passo a carreira da banda, cada um dos Beatles ganha um espaço próprio. Na cidade, só se falava na homenagem que iria acontecer dia seguinte – 29 de novembro – pelos 10 anos de morte de George Harrison.

Não dá pra não se emocionar e chorar enquanto se visita essa exposição. Ver as imagens, a loucura dos fãs, as manifestações pelo mundo e a música tocando direto, traz de volta muitas lembranças.




Andando pelo interior da Inglaterra

Me sobrou pouco tempo pra viajar pelo interior. Fui a Bath, Salisbury, Stratford e Oxford. Numa próxima viagem preciso me planejar melhor e ficar alguns dias em cada uma delas. São históricas e lindas, com características completamente diferentes uma da outra.
Stonehenge é uma coisa maluca, e a gente fica pensando como é que um negócio daquele tamanho e dimensão pode ter sido construído naquele lugar. Mistério.
Fotos que fiz pelo interior

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

London Eye imperdivel



Este e' o tipo de passeio que a gente diz “que pena que ta acabando!”. London Eye e' uma roda gigante gigantesca. E' isso mesmo: gigante gigantesca. Tem 32 cabines e circunferencia de 424 metros. Ver Londres de dentro de uma das cabines de London Eye e' um espetaculo. Achei que ia ficar com o maior medo, mas a movimentacao e' tao suave – 0,9km por hora - que a gente mal se da' conta de que esta a uma altura dessas.

 







Londres: soh o teclado nao ajuda!



Tinha muitas expectativas quando vim para Londres. Misto de apreensao por causa do frio, misto de curiosidade. A cidade e' uma beleza e mescla novo com antigo. Muito bem. As construcoes antigas sao um colirio para os olhos e as novas sao exemplos de arquitetura moderna e novos designers. O tempo muda o tempo todo. Ontem fazia um sol lindo. Hoje, muito frio e garoa grossa. Um alarme de incendio na cozinha da cantina expulsou todo mundo da escola. Uns 200 estudantes ficaram no frio e na garoa ate que fosse constatado que era soh fumaca.

Optei por um curso de ingles pela manha para ter as tardes e as noites livres. Acho que foi uma otima escolha porque tenho tempo livre para visitar a cidade, ver como os londrinos, turistas e imigrantes vivem por aqui. Como quando tenho fome, ando para caramba, tiro fotos e tomo cerveja. Nada mal.

Nos primeiros dias nao fiz nenhum roteiro turistico. Me limitei a andar pelas ruas, ver o movimento, os onibus vermelhos de dois andares e os taxis pretos, a elegancia das mulheres com suas botas, saias e casacos. Aos poucos, a cidade foi mudando. Comecaram a aparecer os sinais do Natal: os restaurantes anunciam reservas, as ruas comecam a ganhar luzes, as lojas enfeitam as vitrines. E comecam a ser instalados os rinques de patinacao em locais publicos. Nas bancas, as revistas mostram presentes e comidas das ceias. A revista do Jamie Oliver ja traz os pratos para se servir na ceia. E assim corre a vida por aqui.

Aos poucos, comecei a visitar os locais que conhecia por livros, filmes e comentarios dos amigos. A Charing Cross Road de “Nunca te vi, sempre te amei” (com a Anne Bancroft e o Anthony Hopkins), Nothing Hill de “Um lugar chamado Nothing Hill”, e tantos outros. Aos poucos vou postando algumas coisas aqui (sempre que achar um computador livre + internet).


 Os famosos onibus vermelhos de dois andares. Em dezembro a frota deve ser substituida por uma nova, com design novo, bem futurista. Os onibus vao ficar parecidos com trens.



A Tower Bridge, uma ponte linda a qualquer hora do dia.


A regiao de City Hall, onde esta a prefeitura e a assembleia de Londres.




Rinque de patinacao instalado em frente ao Museu de Historia Natural.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

1º Encontro Mundial de Blogueiros: Carta de Foz do Iguaçu







O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.

Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:

- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA  no seu processo de bloqueio à Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

As capas desta História

Murar o medo, de Mia Couto



O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa narrativa de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. Para responder às novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de investimento divino, precisamos de intervenção de poderes que estão para além da força humana. O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente limiar de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas incomodas como estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilhão e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia, são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte de nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética e nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo, muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Eduardo Galeano escreveu sobre o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quando não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.



Texto lido por ele em um dos eventos "Conferência Estoril 2011".

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Marcha Mundial de Mulheres



Neste vídeo um apanhado sobre a história da Marcha Mundial de Mulheres (MMM).

Também pode ajudar a Marcha a enviar representantes para o Encontro Mundial da MMM que vai ser nas Filipinas, em novembro. Veja como ajudar clicando neste link

O sertão





A exposição O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste" começa no dia 21/10 e fica até 1º de abril de 2012 no Museu Afro Brasil. São mais de 800 obras que estarão expostas (pinturas, esculturas, gravuras, ex-votos, roupas, fotografias, instalações e documentos), reproduzindo o ambiente no qual vive o homem sertanejo. A curadoria é de Emanuel Araujo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Cultura paulista pra todos os gostos

O Facebook acostuma muito mal. A gente fica com preguiça de atualizar o blog e ouve dos amigos o tal do "fui lá, mas não tinha nada de novo". Ai que vergonha do Varti!

Bem, pra começar a atualizar a coisa, vou postar algumas fotos que fiz no Revelando São Paulo deste ano, que segue até o dia 18/9, no Parque da Vila Guilherme (antigo Parque do Trote).

Gosto deste festival porque tem de tudo: artesanato, comida, manifestações culturais etc. E muita coisa remonta à minha infância, vivida num sitio e também às férias passadas na casa da minha avó, em Taquaritinga.  Época muito boa. Nenhuma preocupação com os destinos do país e do planeta. A única coisa que tínhamos que fazer era nos defender dos primos que aprontavam o tempo todo com as "primas da cidade". Eles tinham um arsenal de maldades pra praticar com a gente que parecia interminável. De muitas delas me lembro até hoje.

Mas voltando ao Revelando, é programa pra todas as idades e pra todos os gostos.


O rojão (uma espécie de kafta de carne de porco assada na brasa) é o meu petisco preferido, depois vem a galinhada, o torresmo, a mandioca frita, a pamonha, o pau-a-pique... e por aí vai.


 A ambientação ajuda crianças e adultos que só viveram na cidade, a ver como as coisas funcionam nos sitios do interior de São Paulo.


Os arranjos com legumes, frutas e verduras parecem quadros de natureza morta.

 A galinha da de São José dos Campos é de dar água na boca, só de olhar. E pra acompanhar, feijão gordo (feito com feijão branco).



Os bonecões presentes em festas populares como em São Luiz do Paraitinga também estão no Revelando.


A garotada se diverte com as competições a cavalo, desfiles de carros de boi, passeios de charrete...




Representantes de outras culturas presentes em São Paulo também se apresentam no palco principal.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre Bogotá


Estive em Bogotá por seis dias na segunda quinzena de maio. Gostei demais da cidade. Moderna, grande e ao mesmo tempo preserva um espaço histórico excelente. Os museus são de primeira linha, ou seja, nada a dever aos museus europeus; a comida, apesar de muito diferente da nossa, é muito saborosa; os espaços culturais da cidade abrigam exposições muito interessantes. Tive a sorte de chegar no começo da mostra Fotográfica Bogotá 2011, então visitei diversos espaços com trabalhos de fotógrafos da Colômbia e do México (país convidado). A grande vantagem é que a maioria dos museus e centros culturais fica no centro histórico (também chamado de Candelária), então, o deslocamento é pequeno. Mas é preciso voltar algumas vezes se o visitante quer conhecer tudo, ver as exposições, ler sobre os lugares e tudo o mais. Alguns amigos pediram dicas pra programar uma viagem pra lá no futuro, então aqui vão algumas dicas.



O povo
O povo de Bogota é muito simpático. Se você pergunta onde fica um determinado lugar ou como chegar a um lugar, não é raro que te acompanhem até lá.

Passeios
O país esta investindo pesado em turismo. Bogotá, Cartagena e Medelín são os três destinos mais divulgados e mais procurados.

O Cerro de Monserrate vale a pena porque de lá a gente vê a cidade inteira espalhada no pé do morro. Dá pra subir de funicular ou de teleférico e inverter na volta com o mesmo bilhete. No domingo tem 50% de desconto.

Para visitar o restaurante Andrés Carne de Res original, basta programar a ida para a Catedral de Sal e para Chia no mesmo dia. Dá pra visitar a Catedral em Zipaquirá e almoçar no restaurante em Chia, município vizinho. Peguei o ônibus para Zipaquirá na Calle 170, desci em Zipaquirá e peguei um táxi pra Catedral de Sal. O povo do lugar fala para você ir andando, mas se quer ter pernas para visitar a Catedral, é melhor economizar os passos.

Ao chegar na Catedral de sal, compre também o bilhete do trenzinho que faz o tour pela cidade. Assim, você conhece a cidade, que é uma das mais antigas da Colômbia e já fica na avenida onde passam os ônibus para os municípios vizinhos. Pegue o ônibus que vai para FACA e pede pra descer no restaurante Andrés Carne de Res. Para Voltar pra Bogotá? A 50 metros do restaurante passam os ônibus que vão pro Portal 80, que fica na zona norte de Bogotá. Ali fica também o terminal do Transmilênio, então, e só pegar o seu.

Museus e espaços culturais
Todos os museus tem seu acervo fixo e também exposições temporárias. Vale a pena. A maioria dos museus de Bogotá são do Banco de La República (correspondente ao nosso Banco do Brasil). São de primeira linha, não deixam nada a dever aos museus da Europa. No domingo, todos tem entrada franca. Na segunda, uma parte fecha.

Museus que visitei e que valem a pena: Museo del Oro (é o único que fica um pouco afastado do centro histórico), Museo Botero, Museo de trajes regionales de Colombia, Iglesia-Museu Santa Clara.

Outros espaços como o Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez e as bibliotecas Luis Angel Arango e Virgilio Barco são modernos e tem acervo muito interessante. A Virgilio Barco é um primor de arquitetura.

Segurança
Nas ruas, a segurança é total. Policiais estão por toda parte com seus uniformes caqui e coletes com listas fluorescentes verdes. É claro que a situação não deve ser assim tão tranquila. Os senadores, por exemplo, andam em carros super potentes, blindados e com segurança dentro. Nos prédios públicos - Congresso Nacional, bibliotecas e centro culturais - há revista na entrada e na saída. Em muitos lugares, além de mostrar o conteúdo da bolsa, a segurança apalpa a gente, procurando armas.

Na saída da Colômbia, se prepare pra uma revista rigorosa (detector de metais, revista pessoal etc.). Tive que responder diversas vezes o que estava fazendo no país e minha mala – quando despachei – foi barrada pelo detector de metais. Na hora do embarque me chamaram pra acompanhar a abertura da mala. Retiraram peça por peça, reviraram os fundos da mala. Perguntei porque tinha sido escolhida e eles disseram deve ter sido por causa dos livros. São muito densos para passar pelo detector de metais e a máquina não identifica o conteúdo.

Transporte
O táxi é muito, muito barato. O problema são os congestionamentos. Tráfego intenso.

No Transmilênio, policiais fazem as vezes de segurança e de atendimento ao público. Eles sabem de todas as rotas, as baldeações etc. Estão sempre prontos a informar qualquer pessoa que se aproxime.

O Transmilênio é a melhor forma de se locomover em Bogotá. Como a cidade inteira está em obras, o Trasmilênio é pratico e rápido porque tem corredores exclusivos (duas faixas). Cruza toda a cidade e é barato. Comprei 10 passagens. Você recebe um cartâo como o nosso bilhete único. E usa direto. Se vai ficar pouco tempo, nem tente entender as linhas, entroncamentos etc. Basta perguntar aos guardas como se chega em tal lugar. Eles vão te dizer a linha e as baldeações a fazer. Pra voltar, é a mesma coisa. Pela manha, antes das 8hs, e depois das 5, tem ônibus especiais do Transmilênio que cruzam a cidade praticamente sem parar. É ótimo.

Compras
Em Bogotá não existem shoppings. Só centros comerciais. Se quiser ir a algum shopping, nunca diga isso ao motorista de táxi, mesmo que no seu guia de viagem indique Shopping El Retiro, Shopping Andino, Shopping Santa Fé. Eles vão dizer "no conozco" ou "no entiendo". Ele só vai entender se você disser que quer ir ao Centro Comercial…

Os melhores lugares pra comprar artesanato local são as pasajes artesanais (galerias) do Museo del Oro e o da Calle 7ª (perto da Praça Bolívar). Se vai para o Panamá, deixe pra comprar os bordados lá (a maior parte vem de lá). Não vale a pena ir à Pasaje Rivas porque nos outros lugares o artesanato já é selecionado e você não precisa ficar "chafurdando" de biboca em biboca.

O que vale a pena: jóias em ouro e esmeralda (pra quem tem prata suficiente), bijuterias folhadas a ouro, bolsas de couro. Os imãs de geladeira com imagens do Botero são lindos e muito bem acabados. Custam pouco e as pessoas adoram a lembrança (as que conhecem Botero, é claro!)

No restaurante Andrés Carne de Res tem muitas coisinhas lindas para levar de recordação. São objetos que eles usam pra servir no próprio restaurante – jarras e canequinhas de alumínio, assador, tigelinhas, tudo feito e pintado a mão. Se não quiser carregar, e se estiver programando uma visita aos shoppings El Retiro e Andino (ficam em frente um do outro), pode comprar na filial bogotana do restaurante. Por sinal, um bom lugar para comer. Chama La Plaza de Andrés e tem cinco cozinhas diferentes, numa mesma área da praça de alimentação do El Retiro. Reserve também um tempinho para um happy hour na região desses dois shoppings. Bares muito legais.

Comida
Carne de porco, frango, milho e abacae estão presentes em todos os lugares. O ajiaco (uma espécie de sopa bem grossa com milho, frango desfiado, alcaparras e queijo ralado) é o mais comum. A cazuela de mariscos (com diversos tipos de frutos do mar) também é encontrado em toda parte.

Os tamales (uma espécie de pamonha salgada e recheada) são excelentes. Saborosos e dão "sustança".

A carne de porco é boa em todo lugar. Torresmos (chicharrones) são servidos com cozidos, com arepa, acompanhando pratos de legumes…. E a carne é feita de todo jeito: assada (parrilha), cozida, grelhada, frita… A lechona foi a coisa mais incrível que vi. Assam a carne e deixam o casco das costas e das laterais inteiros. Depois fazem camadas de arroz e da carne e colocam essa carcaça pururuca por cima. Servem em pratinhos, com um pedaço de pururuca por cima. Lembra o churrasco grego, só que deitado! Outra coisa muito comum são os torresmos fritos servidos em cima de uma arepa. No Andrés Carne de Res servem uma espécie de tiragosto (picada) de lombo de porco em quadradinhos. Se pedir, eles servem com 3 tipos de molhos diferentes. Na unidade de Bogotá o molho era aguado em comparação com o da matriz

O restaurante Andrés Carne de Res original é uma mistura de restaurante e ponto turístico. Vale a pena. Fiquei na dúvida quando cheguei lá porque era afastado de Bogotá e era caro pra ir lá de taxi ou de van (todas as agências de turismo oferecem ida e volta pra lá). Acabei indo de ônibus de linha, depois de visitar a Catedral de sal, que fica na cidadezinha vizinha. Muita gente vai de Chia para Bogotá para trabalhar todo dia, então…

Comi o cocido boyacense (típico do município de Boyacá). É feito de costela de porco e de boi, toicinho, fava, feijão, três tipos de batata, milho, ervilha fresca e outros quetais. Em alguns shoppings tem um restaurante Don Hediondo que tem comidas típicas e é muito bom. Porções fartas.

Vale a pena comer a uchuva (aqui chega como physalis). É barato e uma delícia. As amoras também são gostosas.

Bebida
Quer tomar café expresso? Então pede café expresso. Caso contrário, vai receber um balde de café bem ralo, tirado da máquina. Tipo café de mineiro.

A bebida nacional é a aguardente (caña, como se diz em Bogotá), mas a cerveja Club Colombia é muito boa (padrão da nossa Original ou Serramalte).

A limonada é muito boa. Refrescante e saborosa. O limão tem um gosto especial e diferente do nosso.

Mercado
Mercado de Paloquemao -bom lugar pra conhecer de perto as frutas, legumes e as poucas verduras consumidas em Bogotá. Muito peixe, carne de porco, frutas - lulo, granadina, uchuva, curuba, abacate etc. Também tem muito milho, feijões vermelhos e rajados, favas, ervilhas frescas, cebolinha (misto de cebola, cebolinha e alho poro). Muitas flores. E um entreposto muito interessante.


Dicas extras
Quem quiser tirar fotos, leve tripe. É um saco carregar, mas quando você está no lugar, agradece a dica.

Durante o dia o clima era de outono, uns 22º, mas às 3 da tarde a temperatura caía de uma vez pra uns 12º As noites também eram frias. Um motorista de táxi me disse que o inverno é em abril e maio, e que em julho é muito agradável.


Veja também as fotos no Picasa e alguns posts no Facebook.

domingo, 22 de maio de 2011

A boa surpresa de Bogota


Bogota me surpreendeu de todas as formas. Vim de Managua pra ca e encontrei uma cidade limpa, moderna e com todos os problemas de uma cidade grande e moderna, leia-se transito terrivel, distancias longas e transporte cheio. Ja to craque no tal do Transmilenio, que eh o sistema dos onibus que rodam em corredor especial. Bogota esta em obras. Ja tinham me dito isso, mas achei que ja teriam terminado quando eu viesse para ca. Afinal, demorei tanto para vir. Digo anos e anos. So vi o tamaño real de Bogota depois que subi o Cerro de Montserrat. Eh de espantar.

O bairro da Candelaria concentra um casario multicolorido e muito bem preservado. Ali estao tambem os museus, os centros culturais, as igrejas mais antigas, a Praca Bolivar e muitas outras atracoes turísticas. Andei, andei, andei. Fui ao Museu Botero, que reúne uma boa parte dos trabalhos dele, tanto em pinturas, desenhos como em esculturas. Vi um monte de gordinhas como eu. Tratando-se de Botero, ate as frutas sao mais rechonchudinhas!

Fui ao Museu Igreja Santa Clara. Barbara. E pra minha sorte, tinha ali uma mostra da Fotografica Bogota 2011, com obras de duas fotografas incriveis, a Erika Diettes e a Gabriela Morawetz. E no Museu do Banco da Republica, estaba uma exposicao do Leon Ferrari e outra da fotografa Dayanita Singh, com fotos da India. Lindas.

Bom, mas vou deixar para contar mais depois. Estou brigando com este computador do hotel, porque ele por conta propia, vai arrumando o que escrevo para o espanhol. Isso porque nao me entendí com o teclado ate agora.

Vejam algumas fotos que coloquei num álbum do Picasa.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Playa Girón


Em abril de 1961, cubanos resistiram e impuseram a primeira derrota militar aos Estados Unidos.

Playa Girón, de Silvio Rodriguez

Compañeros poetas,
tomando en cuenta los últimos sucesos
en la poesía, quisiera preguntar
--me urge-,
¿qué tipo de adjetivos se deben usar
para hacer el poema de un barco
sin que se haga sentimental, fuera de la vanguardia
o evidente panfleto,
si debo usar palabras como
Flota Cubana de Pesca y
«Playa Girón»?

Compañeros de música,
tomando en cuenta esas politonales
y audaces canciones, quisiera preguntar
-me urge-,
¿qué tipo de armonía se debe usar
para hacer la canción de este barco
con hombres de poca niñez, hombres y solamente
hombres sobre cubierta,
hombres negros y rojos y azules,
los hombres que pueblan el «Playa Girón»?

Compañeros de historia,
tomando en cuenta lo implacable
que debe ser la verdad, quisiera preguntar
-me urge tanto-,
¿qué debiera decir, qué fronteras debo respetar?
Si alguien roba comida
y después da la vida, ¿qué hacer?
¿Hasta donde debemos practicar las verdades?
¿Hasta donde sabemos?
Que escriban, pues, la historia, su historia,
los hombres del «Playa Girón».

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A arte de Leonilson

"Empty Man" (1991)


Se existe uma coisa que me deixava encantada quando era mais nova, era ver homens tricotando, bordando ou costurando. Ou fazendo crochê. Fui criada no seio de uma família tradicional japonesa, portanto, essas habilidades eram exclusivamente femininas.

No Ceará, me deparei com diversos homens que tinham essas habilidades e as usavam para o trabalho, pra passatempo ou pelo seu valor artístico. Faziam redes, labirintos e outras rendas.

O Leonilson nasceu no Ceará, saiu pequeno de lá, e foi um dos artistas mais internacionais que o Brasil já teve. Ele usou o bordado pra externar seus sentimentos do mundo. Ele morreu cedo, aos 36 anos, mas deixou uma obra incrível entre pinturas, poemas, anotações, colagens e bordados. Em São Paulo, no Itaú Cultural, tá rolando a exposição "Sob o peso dos meus amores", com cerca de 300 obras dele (esculturas, pinturas, bordados, desenhos) e de objetos pessoais (brinquedos, agendas, cadernos etc.).

Leo Não Consegue Mudar o Mundo (1989)








Sobre o Leonilson:
- Documentário "Com o Oceano Inteiro Para Nadar", de Karen Harley, sobre o artista plástico Leonílson - depoimento do próprio artista sobre arte, amores, vida.

- Projeto leonilson - Página oficial


Sobre a exposição:
- Sob o Peso dos Meus amores
- Curadoria de Bitu Cassundé e Ricardo Resende
- Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, São Paulo, SP (próximo à estação Brigadeiro do metrô)
- Até 29/5/2011 (terça a sexta 9h às 20h e sábado domingo feriado 11h às 20h)


domingo, 27 de março de 2011

As orquídeas de abril

Na exposição de orquídeas da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, as flores mais lindas da estação.



Antigamente só tínhamos sapatinhos marrons






Minha favorita é esta delicadeza creme com miolo vermelhinho



sexta-feira, 4 de março de 2011

As fotografias de Aleksandr Ródtchenko e German Lorca

Aleksandr Ródtchenko: revolução na fotografia


Exposição de 300 obras do russo Aleksandr Ródtchenko, um dos grandes inovadores da arte de vanguarda do século XX. Leia sobre o artista e sobre a exposição no site do jornal Brasil de Fato

Quando: 19/02 a 01/05
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz, 02 - São Paulo - SP)
Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h (fone: 3324-1000)



German Lorca: Olhar Imaginário

57 imagens mostram o trabalho de um artista que explorou a fotografia experimental, subjetiva e onírica no Brasil

Leia sobre German Lorca e sobre a exposição no site da Imã FotoGaleria
Quando: 1/3 a 15/5 de 2011. Terça a domingo, das 9h às 21h
Onde: CAIXA Cultural São Paulo (Sé) - Galeria Neuter Michelon (pça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP. Tel.: 0/xx/11/3321-4400)
Quanto: entrada gratuita

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Evocação do Recife, por Manoel Bandeira



Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
- Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
- Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
- Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Anúncios de bonde e rótulos de cachaça no Tomie Ohtake

O Instituto abre hoje duas exposições: a primeira, Veja Ilustre Passageiro: O Atelier Mirga e os Cartazes de Bonde, mostra 300 criações do Atelier Mirga, que fazia os "anúncios" que eram veiculados nos bondes entre 1940 aos 1970; a segunda, Caprichosamente Engarrafada: Rótulos de Cachaça, são cerca de 400 rótulos de cachaças.

Bondes - o Atleier Mirga era contratado pela Companhia de Annuncios em Bonds, que era responsável pela veiculação dos "anúncios".

Cachaças - os rótulos são das coleções do pesquisador carioca e curador da mostra Egeu Laus e também do acervo da Fundação Joaquim Nabuco.

Serviço:

Exposições "Veja Ilustre Passageiro: O Atelier Mirga e os Cartazes de Bonde" e "Caprichosamente Engarrafada: rótulos de cachaça"
Quando: de 10/2 a 10/4/2011
Onde: Instituto Tomie Ohtake (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés), Pinheiros, tel. 2245-1900) - De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada: Grátis

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Comprar, descartar, comprar. A obsolescência planejada

Um documentário que merece ser visto e reproduzido



Baterias que "morrem" em 18 meses de uso; impressoras bloqueadas ao alcançar um determinado número de impressões; lâmpadas que derretem às mil horas... Por que, apesar dos avanços em tecnologia, os produtos de consumo duram cada vez menos?

Filmado na Catalunha, França, Alemanha, Estados Unidos e Gana, “Comprar, descartar, comprar” faz uma viagem através da história de uma prática empresarial que consiste na redução deliberada da vida útil de um produto, para aumentar o seu consumo pois, como publicado em 1928 em uma influente revista de publicidade estadunidense, “um artigo que não se deteriora é uma tragédia para os negócios."

O documentário, dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pela TV espanhola, é o resultado de três anos de pesquisa; faz uso de imagens de arquivo pouco conhecido, fornece provas documentais e mostra as desastrosas conseqüências ambientais decorrentes dessa prática. Também apresenta vários exemplos do espírito de resistência que está crescendo entre os consumidores, e inclui a análise e opinião de economistas, designers e intelectuais que propõem alternativas para salvar a economia e o meio ambiente.


Uma “luz” na origem da obsolescência planejada

Tomas Edison fez a sua primeira lâmpada em 1881. Durou 1.500 horas. Em 1911, um anúncio na imprensa espanhola destacou os benefícios de uma marca de lâmpadas com um certificado de duração de 2.500 horas. Mas, como foi revelado no documentário, em 1924 um cartel que reunia os principais fabricantes na Europa e os Estados Unidos negociaram para limitar a vida útil de uma lâmpada elétrica à 1.000 horas. O cartel foi chamado “Phoebus” e, oficialmente, nunca existiu, mas, em “Comprar, descartar, comprar” é mostrado o ponto de partida de obsolescência planejada, que hoje é aplicado a produtos eletrônicos de última geração, como impressoras e iPods, e aplicada também na indústria têxtil.
Consumidores rebeldes na era da Internet

Ao longo da história do “vencimento previsto”, o filme descreve um período da história da economia nos últimos cem anos e mostra um fato interessante: a mudança de atitude nos consumidores, através do uso de redes sociais e da Internet. O caso dos irmãos Neistat, do programador de computador Vitaly Kiselev, e do catalão Marcos López demonstram isso.
África, aterro eletrônico do Primeiro Mundo

Este uso e descarte constantes têm graves conseqüências ambientais. Como vemos nesta pesquisa, países como o Gana estão se tornando a lixeira eletrônica do Primeiro Mundo. Até então, periodicamente, centenas de containers chegam cheios de resíduos, sob o rótulo de "material de segunda mão", e, eventualmente, tomar o lugar de rios ou campos onde as crianças brincam.

Além da denúncia, o documentário dá visibilidade aos empresários que implementam novos modelos de negócio, e ouvem as alternativas propostas por intelectuais como Serge Latouche, que fala sobre empreender a revolução do “decrescimento”, a redução do consumo e a produção para economizar tempo e desenvolver outras formas de riqueza, como a amizade ou o conhecimento, que não se esgotam ao usá-los.

Para ver o documentário clique “Comprar, descartar, comprar

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

As mulheres fortes do PT

Laurenice Noleto, a Nonô, fez uma saudação para Maria Tereza Canezim Guimarães, a Caneca, que foi primeira-dama quando Pedro Wilson era prefeito de Goiânia. Caneca e Nonô, duas fundadoras e militantes aguerridas do PT foram vítimas da campanha destrutiva e difamatória da imprensa goiana, o que deixou muita gente indignada. Inclusive eu, que conheço as duas. Quando Nonô leu o texto de Hildegard Angel sobre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, pensou: ainda é tempo!


Uma homenagem à Caneca
Por Nonô Nolêto

Na história do PT vimos sempre a participação de muitas mulheres - jovens, adultas, idosas - participando de todos os seus momentos de lutas, de vitórias, de derrotas e de muita utopia. No PT, homens e mulheres iniciaram uma nova forma de tratamento e começaram a se chamar de companheiros. Vivi esses primeiros momentos e me sentia muito importante, valorizada e até emocionada quando ouvia me chamarem de "companheira". Com o tempo, isso foi ficando normal e tornou-se parte de nosso vocabulário, de nossa rotina de caminhada. Homens e mulheres - companheiros e companheiras - construindo, juntos, uma nova história para o Brasil.

Também era comum as companheiras levarem seus filhos pequenos pras reuniões, porque não tinham com quem deixá-los. Mas, no PT, mesmo criando algumas dificuldades pelos obstáculos provocados em um ou outro momento e mesmo os cuidados que requerem, todas as crianças eram também recebidas com carinho e com respeito. E foi assim que naturalmente fomos formando, também, não só um número maior de mulheres políticas como também de jovens políticas. Novas lideranças foram formadas muito cedo no PT. Como costuma me dizer a Marina Sant' Anna, brincando, sobre a participação de meu filho Olavo, muito jovem ainda, na política: "Esse menino ficava todo o tempo correndo e pisando nos pés da gente".

Há muitos anos, fiquei também indignada e não escrevi nada sobre uma situação que foi explorada pela mídia nacional: a situação das primeiras-damas de todo o País e o nepotismo na política.

Nessa época, então - por volta do ano 2001 - pegaram para cristo - ou seja, crucificar - a primeira-dama de Goiânia, Maria Tereza Canezim Guimarães, esposa do prefeito Pedro Wilson Guimarães - a nossa querida companheira carinhosamente apelidada de "Caneca" pelos que conviveram com ela ainda nos tempos de estudante.

Caneca era companheira de Pedro Wilson também na elaboração política, nos estudos e na construção de um novo projeto político para Goiânia. Não aceitou ficar apenas ao lado. Caminhou junto. Tinha acúmulo de estudos e de experiência que a permitiam participar ativamente como uma companheira de lutas e não apenas primeira-dama. Aliás, ela nunca aceitou esse papel e o questionava sempre, porque acredita que as pessoas elegem o presidente, o governador, o prefeito e os seus vices, mas nunca as suas mulheres. Não existe esse cargo ou função política pública de "Primeira-Dama". Assim como hoje, Dilma não tem o seu "Primeiro-Cavalheiro".

Caneca, também uma Doutora (aliás, ela era e é muito mais que uma simples doutora - e nem sei mesmo quais e o tamanho da quantidade de cursos e especialidades que acumula -, é orientadora de doutorandos na Universidade Federal de Goiás), como "Dona" Ruth, ex-primeira-dama de Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao contrário daquela, que submeteu-se a trabalhar apenas na área social da política, Caneca ousou trabalhar em uma outra área da administração municipal, na gestão de seu marido. Abriu mão das vantagens do cargo de "Primeira-Dama", onde poderia contar com os serviços de um motorista exclusivo, um carro, uma sala, um cargo de Presidente da Sociedade Cidadão 2.000 - uma OVG se o caso fosse em nível estadual -; um monte de secretárias com ar condicionado, telefones etc.

Caneca quis contribuir com o que sabia fazer melhor: planejar. É uma expert nessa área. Caneca nunca apareceu com modelitos de costureiros famosos e nem mesmo trocou o modelo do corte de cabelo, que mantém há décadas. Linda, simples mas naturalmente elegante, e sábia como poucas mulheres e homens conseguem ser, Caneca trabalhava diuturnamente como Assessora de Planejamento no Governo de seu marido. Conseguiu reunir os mais bem preparados pensadores que apoiavam a gestão de Pedro Wilson e os liderou num estudo que resultou num espetacular projeto de ação integrada, dividindo e unificando todos os setores da administração municipal de Goiânia à época. Um trabalho exemplar.

Não tinha carro por conta, nem secretárias, telefones etc; o seu salário era menor do que poderia ser se assumisse como presidenta da área social da Prefeitura. Caneca era a mais discreta figura de todo o governo municipal e de todas as histórias de primeiras-damas que conheci em meus mais de 36 anos de exercício do jornalismo. Mas a grande imprensa - e nem e média ou a nossa imprensa regional que a conhecia muito bem - não a perdoou por ser uma mulher inteligente e que não se subjugava aos velhos conceitos. Execrou-a publicamente em todo o País. Colocou-a numa posição de mera oportunista e aproveitadora de uma prática nepotista de seu marido. A campanha de difamação foi de tamanha envergadura, misturando-a a outros casos de reais nepotistas, que Caneca - a grande e humilde sábia - preferiu desistir e entregar o seu cargo, para não prejudicar o trabalho de seu companheiro de vida e de lutas; para não prejudicar todos os outros companheiros e comp anheiras.

Entregou o cargo mas não deixou que colocassem a sua cabeça na guilhotina.

Caneca renunciou a uma participação formal no governo, para continuar colaborando como anônima companheira, mas de cabeça erguida, como uma grande dama que sempre foi e será.
Minha líder.

Viva a Caneca!
Viva a Mariza Letícia!
Viva todas as mulheres companheiras de luta e de sonhos!