Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.
Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena "de amor". O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.
Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.
Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.
Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.
Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.• Ocultar um fato que pode constituir crime;
Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:
• Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;
• Atrapalhar as investigações de um suposto crime;• Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.
É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.
Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.
Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma "naturalidade" dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.
Brasil, 18 de janeiro de 2012
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação Rede Mulher e Mídia Articulação de Mulheres Brasileiras Campanha pela Ética na TV Ciranda Coletivo Feminino Plural Observatório da Mulher Associação Mulheres na Comunicação - Goiânia COMULHER Comunicação Mulher HUMANITAS - Diretos Humanos e Cidadania Marcha Mundial das Mulheres Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos SOF – Sempreviva Organização Feminista SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia
Manifesto aberto a adesões de entidades e redes. Para aderir, escreva para imprensa@fndc.org.br
Perfume de pequi
histórias, estórias, causos, casos, fotos, livros, viagens
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
A Constituição é letra morta?
Publicado no Blog Tijolaço em 17/1/2012
Ninguém tem nada a ver com o que fazem pessoas maiores fazem em sua intimidade, de forma consentida, se isso não envolve violência.
Niguém tem nada a ver com o direito de pessoas expressarem opinião ou criação artística, independente de se considerar de bom ou mau gosto.
Outra coisa, bem diferente, é utilizar-se de concessões do poder público, como são os canais de televisão, sobretudo os abertos, para promover, induzir e explorar, com objetivo de lucro, atentados à dignidade da pessoa humana.
Não cabe qualquer discussão de natureza moral sobre a índole e o comportamento dos participantes. Isso deve ser tratado na esfera penal e queira Deus que, 30 anos depois, já se tenha superado a visão que vimos, os mais velhos, acontecer em casos como o de Raul “Doca” Street, onde o comportamento da vítima e não o ato criminoso ocupava o centro das discussões.
O que está em jogo, aqui, é o uso de um meio público dedifusão, cujo uso é regido pela Constituição:
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;(…)
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
O que dois jovens, embriagados, possam ou não ter feito no “BBB” é infinitamente menos graves do que o fato de por razões empresariais, pessoas sóbrias e responsáveis pela administração de uma concessão pública fazem ali.
Não adianta dizer que um participante foi expulso por transgredir o regulamento do programa. Pois se o programa consiste em explorar a curiosidade pública sobre comportamentos-limite, então a transgressão destes limites é um risco assumido deliberadamente.
Assumido em razão de lucro pecuniário: só as cotas de patrocínio rendem à Globo mais de R$ 100 milhões. Com a exploração dos intervalos comerciais, pay-per-view, merchandising, este valor certamente se multiplica algumas vezes.
Será que um concessionário de linhas de ônibus teria o direito de criar “atrações” deste tipo aos passageiros, para lucrar?
Intependente da responsabilização daquele rapaz, que depende de prova, há algo evidente: a emissora assumiu o risco, ao promover a embriaguez, a exploração da sexualidade, o oferecimento de “quartos” para manifestação desta sexualidade, a atitude consciente de vulnerar seus participantes a atos não consentidos. É irrelevante a ausência de reação da jovem, ainda que não por embriaguez. Se a emissora provocou, por todos os meios e circunstâncias, a possibilidade de sexo não consentido, é dela a responsabilidade pelo que se passou, porque não adiante dizer que aquilo deveria parar “no limite da responsabilidade”.
Todos os que estão envolvidos, por farta remuneração, neste episódio – a começar pelo abjeto biógrafo de Roberto Marinho, que empresta o nome do jornalismo à mais vil exploração do ser humano – não podem fugir de suas responsabilidades.
Não basta que, num gesto de cinismo hipócrita, o sr. Pedro Bial venha dizer que o participante está eliminado por “infringir as regras do programa”. Se houve um delito, não é a Globo o tribunal que o julga. Não é uma transgressão contratual, é penal.
Que, além da responsabilização de seu autor, clama pela responsabilização de quem, deliberadamente, produziu todas as cirncunstâncias e meios para isso.
E que não venham a D. Judith Brito e a Abert falar em censura ou ataques à liberdade de expressão.
E depois não se reclame de que as demais emissoras façam o mesmo.
O cumprimento da Constituição é dever de todos os cidadãos e muito maior é o dever do Estado em zelar para que naquilo que é área pública concedida isso seja observado.
Do contrário, revoquemos a Constituição, as leis, a ideia de direito da mulher sobre seu corpo, das pessoas em geral quanto à sua intimidade e o conceito social de liberdade.
A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.
Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.
Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.
Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país..
Churrascão no Vestíbulo do Inferno
Publicado por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania em 15/01/12
O “Vestíbulo do Inferno” aparece na primeira parte da Divina Comédia, obra monumental do escritor, poeta e político italiano Dante Aligheri (Florença, 1265 — Ravenna, 1321). As outras duas partes são “Purgatório” e “Paraíso”.
Divina Comédia versa sobre odisséia do Poeta no inferno conceitual da Idade Média. O périplo de Dante Aligheri pelos nove círculos infernais é guiado pelo poeta romano Virgílio, que vivera quase dois mil anos antes.
Tive uma edição italiana do Inferno de Dante de capa dura (revestida de couro entalhado a mão), primorosamente ilustrada por Gustave Doré. Presente da mãe. Durante anos, vez após outra, degustava cada sílaba do verso do Poeta e cada traço da imaginação do artista.
Lembrei-me da obra medieval ao participar do “churrascão” que ONGs e movimentos sociais promoveram ontem na esquina da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno, no olho do furacão, na Cracolândia de São Paulo.
O “Vestíbulo” é para onde vão as almas dos que não são aceitos no céu, mas que não merecem ir para o inferno. Exatamente como aqueles farrapos humanos prisioneiros de seus infernos particulares aos quais se pretendeu mostrar que nem todos os esqueceram.
Mas não foi só aos condenados que a iniciativa se deveu. Pretendeu-se mostrar ao governo do Estado (policial) de São Paulo e às suas forças de repressão que há quem não aceite os métodos que estão empregando contra aqueles que continuam sendo seres humanos.
Quem esteve lá sabe o que viu e ouviu. E eu sei. Os raros relatos de prisioneiros do crack desconfiados de que aquilo que ali acontecia não poderia ser em seu benefício – pois nada jamais é – tratam de supostos crimes cometidos por seus algozes.
Relatam que apanham até quando estão dormindo. Um deles disse que a polícia espancou alguém de seu grupo, jogou a pessoa no meio da rua e atropelou. E quando perguntados sobre o que gostariam de dizer à sociedade, dizem que apenas gostariam de parar de apanhar.
A presença da polícia, pois, era ameaçadoramente ostensiva. Entendo que até deveria estar lá para proteger os manifestantes, pessoas de classe média, a grande maioria jovem. Mas se o objetivo fosse proteger não deveria ter ficado tão longe – a uns cem metros de distância.
Então percebo que do teto de uma das bases móveis da polícia estão filmando tudo. Decido ir até lá perguntar a razão.
– Boa tarde, policial.
– O que você quer?
– O senhor poderia me informar a razão da filmagem?
– Não posso. Só o capitão (…).
– Onde ele está?
– Atrás do furgão.
Contorno a base móvel da PM.
– O sr. é o Capitão (…)?
– Eu mesmo.
– Gostaria de saber por que os senhores estão filmando o ato público.
– Em primeiro lugar, quem é você?
– Sou do Blog da Cidadania. Vim cobrir a manifestação.
– Não podemos falar.
– Por que não?
– Ordens.
– De quem?
– Não posso dar informações.
Distancio-me alguns metros do furgão e, naquele momento, sucede uma cena no mínimo curiosa: enquanto fotografo o equipamento de filmagem e o aparato policial em seu entorno, sou fotografado. Travei uma guerra de câmeras com a PM.
A atitude pouco amistosa dos policiais, o interesse inexistente ou proibido de dar satisfações à sociedade sobre seus métodos de atuação, tudo isso deixa ver uma paranóia contra não se sabe o que. Era como se temessem um atentado terrorista.
A quem filmavam? Será que alguém iria traficar drogas em um local que tinha tantas câmeras e tanta polícia? Para que filmariam aqueles farrapos humanos que tão bem conhecem, pois de lá não saem?
Quem foi filmado, portanto, foram aqueles que levaram alento e comida a esfaimados. Mas por que? Que crime poderíamos cometer ao levar um sopro de humanidade ao inferno?
Refleti, naquele momento, que o Estado está completamente divorciado da sociedade, em São Paulo. O cidadão que diverge das autoridades locais é visto como inimigo. Por isso a polícia paulista é tão grosseira, autoritária e violenta.
As constatações deprimentes que aquela descida ao inferno causou, porém, não parariam por ali. Os zumbis do crack e os visitantes solidários pouco se misturavam. Os receptivos eram moradores de rua, mas não necessariamente usuários daquele veneno.
Alguns usuários de fato atravessavam a multidão dando encontrões de raspão, aparentemente contrariados. Fiquei imaginando se não temiam que tudo aquilo lhes fosse cobrado pelos opressores quando fôssemos embora.
Aqueles filhos de Deus rescendendo a morte, a excrementos, a álcool, com bocas desdentadas, feridas espalhadas e olhares mortiços… Como ir embora e deixá-los lá? Como sair dali sem ter feito nada? E o que é mais: como purgar a culpa por fazê-lo?
Moças e rapazes tentavam puxar canções, instilar alguma alegria no entorno – como se fosse possível –, mas não repercutia. Não havia espaço para outro sentimento além da perplexidade. E a separação tácita entre visitantes e anfitriões, mesmo estando misturados, tornava tudo pior.
Após resistir por cerca de uma hora, não suportei mais. Despedi-me de amigos que lá encontrei e saí em fuga daquele inferno. E sem olhar para trás.
Perdi a noção de tempo e espaço. Caminhei debaixo de chuva por quilômetros. Só então parei um táxi. Chegando em casa, tomei uma dose de cachaça. E mais outra. Lá pela terceira percebi o que estivera fazendo: tentara, sem sucesso, redimir-me da culpa.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Meu outono em Londres
Fotos que fiz pelo interior
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
London Eye imperdivel
Londres: soh o teclado nao ajuda!
Os famosos onibus vermelhos de dois andares. Em dezembro a frota deve ser substituida por uma nova, com design novo, bem futurista. Os onibus vao ficar parecidos com trens.
A Tower Bridge, uma ponte linda a qualquer hora do dia.
A regiao de City Hall, onde esta a prefeitura e a assembleia de Londres.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
1º Encontro Mundial de Blogueiros: Carta de Foz do Iguaçu
O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.
Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Murar o medo, de Mia Couto
O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.
O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.
No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.
O preço dessa narrativa de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.
A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. Para responder às novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de investimento divino, precisamos de intervenção de poderes que estão para além da força humana. O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.
Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.
Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente limiar de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.
Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas incomodas como estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilhão e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia, são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?
Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.
Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte de nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.
A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética e nem de legalidade.
É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.
Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo, muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Eduardo Galeano escreveu sobre o medo global:
“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quando não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.
E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.
Texto lido por ele em um dos eventos "Conferência Estoril 2011".
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
A Marcha Mundial de Mulheres
Neste vídeo um apanhado sobre a história da Marcha Mundial de Mulheres (MMM).
Também pode ajudar a Marcha a enviar representantes para o Encontro Mundial da MMM que vai ser nas Filipinas, em novembro. Veja como ajudar clicando neste link
O sertão
A exposição O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste" começa no dia 21/10 e fica até 1º de abril de 2012 no Museu Afro Brasil. São mais de 800 obras que estarão expostas (pinturas, esculturas, gravuras, ex-votos, roupas, fotografias, instalações e documentos), reproduzindo o ambiente no qual vive o homem sertanejo. A curadoria é de Emanuel Araujo.
domingo, 11 de setembro de 2011
Cultura paulista pra todos os gostos
Bem, pra começar a atualizar a coisa, vou postar algumas fotos que fiz no Revelando São Paulo deste ano, que segue até o dia 18/9, no Parque da Vila Guilherme (antigo Parque do Trote).
Gosto deste festival porque tem de tudo: artesanato, comida, manifestações culturais etc. E muita coisa remonta à minha infância, vivida num sitio e também às férias passadas na casa da minha avó, em Taquaritinga. Época muito boa. Nenhuma preocupação com os destinos do país e do planeta. A única coisa que tínhamos que fazer era nos defender dos primos que aprontavam o tempo todo com as "primas da cidade". Eles tinham um arsenal de maldades pra praticar com a gente que parecia interminável. De muitas delas me lembro até hoje.
Mas voltando ao Revelando, é programa pra todas as idades e pra todos os gostos.
O rojão (uma espécie de kafta de carne de porco assada na brasa) é o meu petisco preferido, depois vem a galinhada, o torresmo, a mandioca frita, a pamonha, o pau-a-pique... e por aí vai.
A ambientação ajuda crianças e adultos que só viveram na cidade, a ver como as coisas funcionam nos sitios do interior de São Paulo.
Os arranjos com legumes, frutas e verduras parecem quadros de natureza morta.
A galinha da de São José dos Campos é de dar água na boca, só de olhar. E pra acompanhar, feijão gordo (feito com feijão branco).
Os bonecões presentes em festas populares como em São Luiz do Paraitinga também estão no Revelando.
A garotada se diverte com as competições a cavalo, desfiles de carros de boi, passeios de charrete...
Representantes de outras culturas presentes em São Paulo também se apresentam no palco principal.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Sobre Bogotá
Estive em Bogotá por seis dias na segunda quinzena de maio. Gostei demais da cidade. Moderna, grande e ao mesmo tempo preserva um espaço histórico excelente. Os museus são de primeira linha, ou seja, nada a dever aos museus europeus; a comida, apesar de muito diferente da nossa, é muito saborosa; os espaços culturais da cidade abrigam exposições muito interessantes. Tive a sorte de chegar no começo da mostra Fotográfica Bogotá 2011, então visitei diversos espaços com trabalhos de fotógrafos da Colômbia e do México (país convidado). A grande vantagem é que a maioria dos museus e centros culturais fica no centro histórico (também chamado de Candelária), então, o deslocamento é pequeno. Mas é preciso voltar algumas vezes se o visitante quer conhecer tudo, ver as exposições, ler sobre os lugares e tudo o mais. Alguns amigos pediram dicas pra programar uma viagem pra lá no futuro, então aqui vão algumas dicas.
O povo
O povo de Bogota é muito simpático. Se você pergunta onde fica um determinado lugar ou como chegar a um lugar, não é raro que te acompanhem até lá.
Passeios
O país esta investindo pesado em turismo. Bogotá, Cartagena e Medelín são os três destinos mais divulgados e mais procurados.
O Cerro de Monserrate vale a pena porque de lá a gente vê a cidade inteira espalhada no pé do morro. Dá pra subir de funicular ou de teleférico e inverter na volta com o mesmo bilhete. No domingo tem 50% de desconto.
Para visitar o restaurante Andrés Carne de Res original, basta programar a ida para a Catedral de Sal e para Chia no mesmo dia. Dá pra visitar a Catedral em Zipaquirá e almoçar no restaurante em Chia, município vizinho. Peguei o ônibus para Zipaquirá na Calle 170, desci em Zipaquirá e peguei um táxi pra Catedral de Sal. O povo do lugar fala para você ir andando, mas se quer ter pernas para visitar a Catedral, é melhor economizar os passos.
Ao chegar na Catedral de sal, compre também o bilhete do trenzinho que faz o tour pela cidade. Assim, você conhece a cidade, que é uma das mais antigas da Colômbia e já fica na avenida onde passam os ônibus para os municípios vizinhos. Pegue o ônibus que vai para FACA e pede pra descer no restaurante Andrés Carne de Res. Para Voltar pra Bogotá? A 50 metros do restaurante passam os ônibus que vão pro Portal 80, que fica na zona norte de Bogotá. Ali fica também o terminal do Transmilênio, então, e só pegar o seu.
Museus e espaços culturais
Todos os museus tem seu acervo fixo e também exposições temporárias. Vale a pena. A maioria dos museus de Bogotá são do Banco de La República (correspondente ao nosso Banco do Brasil). São de primeira linha, não deixam nada a dever aos museus da Europa. No domingo, todos tem entrada franca. Na segunda, uma parte fecha.
Museus que visitei e que valem a pena: Museo del Oro (é o único que fica um pouco afastado do centro histórico), Museo Botero, Museo de trajes regionales de Colombia, Iglesia-Museu Santa Clara.
Outros espaços como o Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez e as bibliotecas Luis Angel Arango e Virgilio Barco são modernos e tem acervo muito interessante. A Virgilio Barco é um primor de arquitetura.
Segurança
Nas ruas, a segurança é total. Policiais estão por toda parte com seus uniformes caqui e coletes com listas fluorescentes verdes. É claro que a situação não deve ser assim tão tranquila. Os senadores, por exemplo, andam em carros super potentes, blindados e com segurança dentro. Nos prédios públicos - Congresso Nacional, bibliotecas e centro culturais - há revista na entrada e na saída. Em muitos lugares, além de mostrar o conteúdo da bolsa, a segurança apalpa a gente, procurando armas.
Na saída da Colômbia, se prepare pra uma revista rigorosa (detector de metais, revista pessoal etc.). Tive que responder diversas vezes o que estava fazendo no país e minha mala – quando despachei – foi barrada pelo detector de metais. Na hora do embarque me chamaram pra acompanhar a abertura da mala. Retiraram peça por peça, reviraram os fundos da mala. Perguntei porque tinha sido escolhida e eles disseram deve ter sido por causa dos livros. São muito densos para passar pelo detector de metais e a máquina não identifica o conteúdo.
Transporte
O táxi é muito, muito barato. O problema são os congestionamentos. Tráfego intenso.
No Transmilênio, policiais fazem as vezes de segurança e de atendimento ao público. Eles sabem de todas as rotas, as baldeações etc. Estão sempre prontos a informar qualquer pessoa que se aproxime.
O Transmilênio é a melhor forma de se locomover em Bogotá. Como a cidade inteira está em obras, o Trasmilênio é pratico e rápido porque tem corredores exclusivos (duas faixas). Cruza toda a cidade e é barato. Comprei 10 passagens. Você recebe um cartâo como o nosso bilhete único. E usa direto. Se vai ficar pouco tempo, nem tente entender as linhas, entroncamentos etc. Basta perguntar aos guardas como se chega em tal lugar. Eles vão te dizer a linha e as baldeações a fazer. Pra voltar, é a mesma coisa. Pela manha, antes das 8hs, e depois das 5, tem ônibus especiais do Transmilênio que cruzam a cidade praticamente sem parar. É ótimo.
Compras
Em Bogotá não existem shoppings. Só centros comerciais. Se quiser ir a algum shopping, nunca diga isso ao motorista de táxi, mesmo que no seu guia de viagem indique Shopping El Retiro, Shopping Andino, Shopping Santa Fé. Eles vão dizer "no conozco" ou "no entiendo". Ele só vai entender se você disser que quer ir ao Centro Comercial…
Os melhores lugares pra comprar artesanato local são as pasajes artesanais (galerias) do Museo del Oro e o da Calle 7ª (perto da Praça Bolívar). Se vai para o Panamá, deixe pra comprar os bordados lá (a maior parte vem de lá). Não vale a pena ir à Pasaje Rivas porque nos outros lugares o artesanato já é selecionado e você não precisa ficar "chafurdando" de biboca em biboca.
O que vale a pena: jóias em ouro e esmeralda (pra quem tem prata suficiente), bijuterias folhadas a ouro, bolsas de couro. Os imãs de geladeira com imagens do Botero são lindos e muito bem acabados. Custam pouco e as pessoas adoram a lembrança (as que conhecem Botero, é claro!)
No restaurante Andrés Carne de Res tem muitas coisinhas lindas para levar de recordação. São objetos que eles usam pra servir no próprio restaurante – jarras e canequinhas de alumínio, assador, tigelinhas, tudo feito e pintado a mão. Se não quiser carregar, e se estiver programando uma visita aos shoppings El Retiro e Andino (ficam em frente um do outro), pode comprar na filial bogotana do restaurante. Por sinal, um bom lugar para comer. Chama La Plaza de Andrés e tem cinco cozinhas diferentes, numa mesma área da praça de alimentação do El Retiro. Reserve também um tempinho para um happy hour na região desses dois shoppings. Bares muito legais.
Comida
Carne de porco, frango, milho e abacae estão presentes em todos os lugares. O ajiaco (uma espécie de sopa bem grossa com milho, frango desfiado, alcaparras e queijo ralado) é o mais comum. A cazuela de mariscos (com diversos tipos de frutos do mar) também é encontrado em toda parte.
Os tamales (uma espécie de pamonha salgada e recheada) são excelentes. Saborosos e dão "sustança".
A carne de porco é boa em todo lugar. Torresmos (chicharrones) são servidos com cozidos, com arepa, acompanhando pratos de legumes…. E a carne é feita de todo jeito: assada (parrilha), cozida, grelhada, frita… A lechona foi a coisa mais incrível que vi. Assam a carne e deixam o casco das costas e das laterais inteiros. Depois fazem camadas de arroz e da carne e colocam essa carcaça pururuca por cima. Servem em pratinhos, com um pedaço de pururuca por cima. Lembra o churrasco grego, só que deitado! Outra coisa muito comum são os torresmos fritos servidos em cima de uma arepa. No Andrés Carne de Res servem uma espécie de tiragosto (picada) de lombo de porco em quadradinhos. Se pedir, eles servem com 3 tipos de molhos diferentes. Na unidade de Bogotá o molho era aguado em comparação com o da matriz
O restaurante Andrés Carne de Res original é uma mistura de restaurante e ponto turístico. Vale a pena. Fiquei na dúvida quando cheguei lá porque era afastado de Bogotá e era caro pra ir lá de taxi ou de van (todas as agências de turismo oferecem ida e volta pra lá). Acabei indo de ônibus de linha, depois de visitar a Catedral de sal, que fica na cidadezinha vizinha. Muita gente vai de Chia para Bogotá para trabalhar todo dia, então…
Comi o cocido boyacense (típico do município de Boyacá). É feito de costela de porco e de boi, toicinho, fava, feijão, três tipos de batata, milho, ervilha fresca e outros quetais. Em alguns shoppings tem um restaurante Don Hediondo que tem comidas típicas e é muito bom. Porções fartas.
Vale a pena comer a uchuva (aqui chega como physalis). É barato e uma delícia. As amoras também são gostosas.
Bebida
Quer tomar café expresso? Então pede café expresso. Caso contrário, vai receber um balde de café bem ralo, tirado da máquina. Tipo café de mineiro.
A bebida nacional é a aguardente (caña, como se diz em Bogotá), mas a cerveja Club Colombia é muito boa (padrão da nossa Original ou Serramalte).
A limonada é muito boa. Refrescante e saborosa. O limão tem um gosto especial e diferente do nosso.
Mercado
Mercado de Paloquemao -bom lugar pra conhecer de perto as frutas, legumes e as poucas verduras consumidas em Bogotá. Muito peixe, carne de porco, frutas - lulo, granadina, uchuva, curuba, abacate etc. Também tem muito milho, feijões vermelhos e rajados, favas, ervilhas frescas, cebolinha (misto de cebola, cebolinha e alho poro). Muitas flores. E um entreposto muito interessante.
Dicas extras
Quem quiser tirar fotos, leve tripe. É um saco carregar, mas quando você está no lugar, agradece a dica.
Durante o dia o clima era de outono, uns 22º, mas às 3 da tarde a temperatura caía de uma vez pra uns 12º As noites também eram frias. Um motorista de táxi me disse que o inverno é em abril e maio, e que em julho é muito agradável.
Veja também as fotos no Picasa e alguns posts no Facebook.
domingo, 22 de maio de 2011
A boa surpresa de Bogota
Bogota me surpreendeu de todas as formas. Vim de Managua pra ca e encontrei uma cidade limpa, moderna e com todos os problemas de uma cidade grande e moderna, leia-se transito terrivel, distancias longas e transporte cheio. Ja to craque no tal do Transmilenio, que eh o sistema dos onibus que rodam em corredor especial. Bogota esta em obras. Ja tinham me dito isso, mas achei que ja teriam terminado quando eu viesse para ca. Afinal, demorei tanto para vir. Digo anos e anos. So vi o tamaño real de Bogota depois que subi o Cerro de Montserrat. Eh de espantar.
O bairro da Candelaria concentra um casario multicolorido e muito bem preservado. Ali estao tambem os museus, os centros culturais, as igrejas mais antigas, a Praca Bolivar e muitas outras atracoes turísticas. Andei, andei, andei. Fui ao Museu Botero, que reúne uma boa parte dos trabalhos dele, tanto em pinturas, desenhos como em esculturas. Vi um monte de gordinhas como eu. Tratando-se de Botero, ate as frutas sao mais rechonchudinhas!
Fui ao Museu Igreja Santa Clara. Barbara. E pra minha sorte, tinha ali uma mostra da Fotografica Bogota 2011, com obras de duas fotografas incriveis, a Erika Diettes e a Gabriela Morawetz. E no Museu do Banco da Republica, estaba uma exposicao do Leon Ferrari e outra da fotografa Dayanita Singh, com fotos da India. Lindas.
Bom, mas vou deixar para contar mais depois. Estou brigando com este computador do hotel, porque ele por conta propia, vai arrumando o que escrevo para o espanhol. Isso porque nao me entendí com o teclado ate agora.
Vejam algumas fotos que coloquei num álbum do Picasa.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Playa Girón
Em abril de 1961, cubanos resistiram e impuseram a primeira derrota militar aos Estados Unidos.
Playa Girón, de Silvio Rodriguez
Compañeros poetas,
tomando en cuenta los últimos sucesos
en la poesía, quisiera preguntar
--me urge-,
¿qué tipo de adjetivos se deben usar
para hacer el poema de un barco
sin que se haga sentimental, fuera de la vanguardia
o evidente panfleto,
si debo usar palabras como
Flota Cubana de Pesca y
«Playa Girón»?
Compañeros de música,
tomando en cuenta esas politonales
y audaces canciones, quisiera preguntar
-me urge-,
¿qué tipo de armonía se debe usar
para hacer la canción de este barco
con hombres de poca niñez, hombres y solamente
hombres sobre cubierta,
hombres negros y rojos y azules,
los hombres que pueblan el «Playa Girón»?
Compañeros de historia,
tomando en cuenta lo implacable
que debe ser la verdad, quisiera preguntar
-me urge tanto-,
¿qué debiera decir, qué fronteras debo respetar?
Si alguien roba comida
y después da la vida, ¿qué hacer?
¿Hasta donde debemos practicar las verdades?
¿Hasta donde sabemos?
Que escriban, pues, la historia, su historia,
los hombres del «Playa Girón».


