sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O sal e nós

Levei pra Belém o livro "SAL: Uma história do mundo", de Mark Kurlansky, que ganhei da Aurea Gill, figura querida que sabe antecipar os desejos dos outros. Pensei aproveitar as longas horas de vôo e de aeroportos para começar a lê-lo. É interessantíssimo. Ele conta as descobertas, as disputas, os impostos, as guerras geradas pela falta ou excesso do sal; desvenda a origem de palavras que usamos hoje e que se originaram dele como "salário", as implicações econômicas decorrentes da posse ou do desejo de possuir o sal, e muito mais. Interessante é ver como o sal, com seu poder de conservação, marcou a evolução de produtos como queijos, azeitonas, presuntos etc. Lembrei que quando morava em Natal visitei a cidade de Areia Branca, no interior do Rio Grande do Norte. Ali navios de bandeiras de todo o mundo aportavam pra carregar sal. Às vezes ficava ali olhando aquela imensidão branca e pensava em pegar uma carona nesses navios pra ganhar o mundo.

Bem, cheguei a Belém, com o sal na cabeça. Logo nas primeiras visitas que fiz ao Complexo do Ver-o-peso (porque não dá pra chamar aquilo tudo só de mercado) percebi logo que o sal é um dos produtos mais importantes para o povo daquela região. O peixe é um dos produtos mais populares, e o camarão também. Apesar de terem todas as condições de consumir o peixe fresco, muitos o preferem salgado. Herança dos portugueses, dizem, que lhes apresentaram o bacalhau salgado.

E assim é com o camarão também. Cestos e mais cestos (ou, como se diz no Pará, paneiros e mais paneiros) de camarão salgado chegam das ilhas a bordo de inúmeros barcos.


Pirarucu de casaca, arroz de pirarucu, moqueca e outros tantos pratos são feitos com o peixe seco e dessalgado. O camarão seco é utilizado em diversos pratos, em especial no tacacá (uma espécie de sopa feita com o tucupi, a goma da mandioca e jambu). É colocado sobre esse caldo que é servido em cuias pretas nos carrinhos instalados nas esquinas.

Mas voltando ao sal e ao livro, uma das passagens interessantes é a que conta a luta capitaneada por Gandhi contra o imposto do sal, imposto imposto, literalmente, pela coroa britânica.


O livro:
SAL Uma história do mundo
Mark Kurlansky
Editora Senac

3 comentários:

Slow Food disse...

Olá,
Tudo bem? Gostaríamos de te convidar a colocar os textos do Slow Food Brasil na lateral de seu blog. Se gostar da idéia, saiba como fazer isso nessa página: www.slowfoodbrasil.com/content/view/234/62/

Entre os blogs que já colocaram as notícias em seus sites estão: Come-se, Alimento para pensar, Orgânicos e Sustentáveis, Central do Cerrado, Comadre Fulozinha etc.

Abraços,
Equipe Slow Food Brasil
www.slowfoodbrasil.com

Neide Rigo disse...

Ai que saudade de Belém. Lindas fotos. Parabéns!
Bj, n

capixaba disse...

Andarilha,

Será que aquela tainha salgada lá do "ver o peso", se tem descendência portuguesa, não se assemelharia à "tainha escalada" que os manezinhos (descendentes de açorianos)fazem lá em floripa? A "tainha escalada" é salgada exposta ao sol num varal. Fica meio avermelhada. Depois é assada. Alguns restaurantes já sofisticam e colocam alguns outros temperos, e ela fica maravilhosa. A propósito, abusando de sua erudição, você poderia me explicar a origem do nome "mercado do ver o peso"? Bj