terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Evocação do Recife, por Manoel Bandeira



Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
- Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
- Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
- Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Anúncios de bonde e rótulos de cachaça no Tomie Ohtake

O Instituto abre hoje duas exposições: a primeira, Veja Ilustre Passageiro: O Atelier Mirga e os Cartazes de Bonde, mostra 300 criações do Atelier Mirga, que fazia os "anúncios" que eram veiculados nos bondes entre 1940 aos 1970; a segunda, Caprichosamente Engarrafada: Rótulos de Cachaça, são cerca de 400 rótulos de cachaças.

Bondes - o Atleier Mirga era contratado pela Companhia de Annuncios em Bonds, que era responsável pela veiculação dos "anúncios".

Cachaças - os rótulos são das coleções do pesquisador carioca e curador da mostra Egeu Laus e também do acervo da Fundação Joaquim Nabuco.

Serviço:

Exposições "Veja Ilustre Passageiro: O Atelier Mirga e os Cartazes de Bonde" e "Caprichosamente Engarrafada: rótulos de cachaça"
Quando: de 10/2 a 10/4/2011
Onde: Instituto Tomie Ohtake (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés), Pinheiros, tel. 2245-1900) - De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada: Grátis

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Comprar, descartar, comprar. A obsolescência planejada

Um documentário que merece ser visto e reproduzido



Baterias que "morrem" em 18 meses de uso; impressoras bloqueadas ao alcançar um determinado número de impressões; lâmpadas que derretem às mil horas... Por que, apesar dos avanços em tecnologia, os produtos de consumo duram cada vez menos?

Filmado na Catalunha, França, Alemanha, Estados Unidos e Gana, “Comprar, descartar, comprar” faz uma viagem através da história de uma prática empresarial que consiste na redução deliberada da vida útil de um produto, para aumentar o seu consumo pois, como publicado em 1928 em uma influente revista de publicidade estadunidense, “um artigo que não se deteriora é uma tragédia para os negócios."

O documentário, dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pela TV espanhola, é o resultado de três anos de pesquisa; faz uso de imagens de arquivo pouco conhecido, fornece provas documentais e mostra as desastrosas conseqüências ambientais decorrentes dessa prática. Também apresenta vários exemplos do espírito de resistência que está crescendo entre os consumidores, e inclui a análise e opinião de economistas, designers e intelectuais que propõem alternativas para salvar a economia e o meio ambiente.


Uma “luz” na origem da obsolescência planejada

Tomas Edison fez a sua primeira lâmpada em 1881. Durou 1.500 horas. Em 1911, um anúncio na imprensa espanhola destacou os benefícios de uma marca de lâmpadas com um certificado de duração de 2.500 horas. Mas, como foi revelado no documentário, em 1924 um cartel que reunia os principais fabricantes na Europa e os Estados Unidos negociaram para limitar a vida útil de uma lâmpada elétrica à 1.000 horas. O cartel foi chamado “Phoebus” e, oficialmente, nunca existiu, mas, em “Comprar, descartar, comprar” é mostrado o ponto de partida de obsolescência planejada, que hoje é aplicado a produtos eletrônicos de última geração, como impressoras e iPods, e aplicada também na indústria têxtil.
Consumidores rebeldes na era da Internet

Ao longo da história do “vencimento previsto”, o filme descreve um período da história da economia nos últimos cem anos e mostra um fato interessante: a mudança de atitude nos consumidores, através do uso de redes sociais e da Internet. O caso dos irmãos Neistat, do programador de computador Vitaly Kiselev, e do catalão Marcos López demonstram isso.
África, aterro eletrônico do Primeiro Mundo

Este uso e descarte constantes têm graves conseqüências ambientais. Como vemos nesta pesquisa, países como o Gana estão se tornando a lixeira eletrônica do Primeiro Mundo. Até então, periodicamente, centenas de containers chegam cheios de resíduos, sob o rótulo de "material de segunda mão", e, eventualmente, tomar o lugar de rios ou campos onde as crianças brincam.

Além da denúncia, o documentário dá visibilidade aos empresários que implementam novos modelos de negócio, e ouvem as alternativas propostas por intelectuais como Serge Latouche, que fala sobre empreender a revolução do “decrescimento”, a redução do consumo e a produção para economizar tempo e desenvolver outras formas de riqueza, como a amizade ou o conhecimento, que não se esgotam ao usá-los.

Para ver o documentário clique “Comprar, descartar, comprar

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

As mulheres fortes do PT

Laurenice Noleto, a Nonô, fez uma saudação para Maria Tereza Canezim Guimarães, a Caneca, que foi primeira-dama quando Pedro Wilson era prefeito de Goiânia. Caneca e Nonô, duas fundadoras e militantes aguerridas do PT foram vítimas da campanha destrutiva e difamatória da imprensa goiana, o que deixou muita gente indignada. Inclusive eu, que conheço as duas. Quando Nonô leu o texto de Hildegard Angel sobre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, pensou: ainda é tempo!


Uma homenagem à Caneca
Por Nonô Nolêto

Na história do PT vimos sempre a participação de muitas mulheres - jovens, adultas, idosas - participando de todos os seus momentos de lutas, de vitórias, de derrotas e de muita utopia. No PT, homens e mulheres iniciaram uma nova forma de tratamento e começaram a se chamar de companheiros. Vivi esses primeiros momentos e me sentia muito importante, valorizada e até emocionada quando ouvia me chamarem de "companheira". Com o tempo, isso foi ficando normal e tornou-se parte de nosso vocabulário, de nossa rotina de caminhada. Homens e mulheres - companheiros e companheiras - construindo, juntos, uma nova história para o Brasil.

Também era comum as companheiras levarem seus filhos pequenos pras reuniões, porque não tinham com quem deixá-los. Mas, no PT, mesmo criando algumas dificuldades pelos obstáculos provocados em um ou outro momento e mesmo os cuidados que requerem, todas as crianças eram também recebidas com carinho e com respeito. E foi assim que naturalmente fomos formando, também, não só um número maior de mulheres políticas como também de jovens políticas. Novas lideranças foram formadas muito cedo no PT. Como costuma me dizer a Marina Sant' Anna, brincando, sobre a participação de meu filho Olavo, muito jovem ainda, na política: "Esse menino ficava todo o tempo correndo e pisando nos pés da gente".

Há muitos anos, fiquei também indignada e não escrevi nada sobre uma situação que foi explorada pela mídia nacional: a situação das primeiras-damas de todo o País e o nepotismo na política.

Nessa época, então - por volta do ano 2001 - pegaram para cristo - ou seja, crucificar - a primeira-dama de Goiânia, Maria Tereza Canezim Guimarães, esposa do prefeito Pedro Wilson Guimarães - a nossa querida companheira carinhosamente apelidada de "Caneca" pelos que conviveram com ela ainda nos tempos de estudante.

Caneca era companheira de Pedro Wilson também na elaboração política, nos estudos e na construção de um novo projeto político para Goiânia. Não aceitou ficar apenas ao lado. Caminhou junto. Tinha acúmulo de estudos e de experiência que a permitiam participar ativamente como uma companheira de lutas e não apenas primeira-dama. Aliás, ela nunca aceitou esse papel e o questionava sempre, porque acredita que as pessoas elegem o presidente, o governador, o prefeito e os seus vices, mas nunca as suas mulheres. Não existe esse cargo ou função política pública de "Primeira-Dama". Assim como hoje, Dilma não tem o seu "Primeiro-Cavalheiro".

Caneca, também uma Doutora (aliás, ela era e é muito mais que uma simples doutora - e nem sei mesmo quais e o tamanho da quantidade de cursos e especialidades que acumula -, é orientadora de doutorandos na Universidade Federal de Goiás), como "Dona" Ruth, ex-primeira-dama de Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao contrário daquela, que submeteu-se a trabalhar apenas na área social da política, Caneca ousou trabalhar em uma outra área da administração municipal, na gestão de seu marido. Abriu mão das vantagens do cargo de "Primeira-Dama", onde poderia contar com os serviços de um motorista exclusivo, um carro, uma sala, um cargo de Presidente da Sociedade Cidadão 2.000 - uma OVG se o caso fosse em nível estadual -; um monte de secretárias com ar condicionado, telefones etc.

Caneca quis contribuir com o que sabia fazer melhor: planejar. É uma expert nessa área. Caneca nunca apareceu com modelitos de costureiros famosos e nem mesmo trocou o modelo do corte de cabelo, que mantém há décadas. Linda, simples mas naturalmente elegante, e sábia como poucas mulheres e homens conseguem ser, Caneca trabalhava diuturnamente como Assessora de Planejamento no Governo de seu marido. Conseguiu reunir os mais bem preparados pensadores que apoiavam a gestão de Pedro Wilson e os liderou num estudo que resultou num espetacular projeto de ação integrada, dividindo e unificando todos os setores da administração municipal de Goiânia à época. Um trabalho exemplar.

Não tinha carro por conta, nem secretárias, telefones etc; o seu salário era menor do que poderia ser se assumisse como presidenta da área social da Prefeitura. Caneca era a mais discreta figura de todo o governo municipal e de todas as histórias de primeiras-damas que conheci em meus mais de 36 anos de exercício do jornalismo. Mas a grande imprensa - e nem e média ou a nossa imprensa regional que a conhecia muito bem - não a perdoou por ser uma mulher inteligente e que não se subjugava aos velhos conceitos. Execrou-a publicamente em todo o País. Colocou-a numa posição de mera oportunista e aproveitadora de uma prática nepotista de seu marido. A campanha de difamação foi de tamanha envergadura, misturando-a a outros casos de reais nepotistas, que Caneca - a grande e humilde sábia - preferiu desistir e entregar o seu cargo, para não prejudicar o trabalho de seu companheiro de vida e de lutas; para não prejudicar todos os outros companheiros e comp anheiras.

Entregou o cargo mas não deixou que colocassem a sua cabeça na guilhotina.

Caneca renunciou a uma participação formal no governo, para continuar colaborando como anônima companheira, mas de cabeça erguida, como uma grande dama que sempre foi e será.
Minha líder.

Viva a Caneca!
Viva a Mariza Letícia!
Viva todas as mulheres companheiras de luta e de sonhos!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Lélia Abramo 100 anos

Lélia Abramo vai ser homenageada no dia 8/2, às 19hs, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, centro de São Paulo. No dia 6 ela completaria 100 anos de idade. Lélia foi uma ativa militante política e atriz teatral que faleceu em 2004. A homenagem é iniciativa da Funarte, com apoio da Fundação Perseu Abramo. E foi pela Editora da Fundação que Lélia publicou a autobiografia "Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo" , livro que registra sua trajetória de vida pessoal, política e artística. Um livro super sensível, mas que está esgotado.

Na homenagem a Lélia, amigos, parentes e companheiros de luta durante o período da ditadura farão leituras e darão depoimentos sobre ela. Estão confirmados Ana de Hollanda, ministra da Cultura, Sérgio Mamberti, Tadeu di Pietro, Roberto Ascar, Zé Renato , Chico de Assis, Alessandro Azevedo, Silvana Abramo, Pedro Tierra, Antonio Grassi, entre outros.

Roteiro/programa da atividade cultural


1º Bloco
Abertura, por Tadeu di Pietro
Vídeo de imagens selecionadas de Lélia
Música
Poesia de Maiakovski
Trecho do livro Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo
Fala de convidados

2º Bloco
Poesia de Maiakovsk
Trecho do livro Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo
Fala de convidados

3º Bloco
Poesia de Maiakovski
Trecho do livro Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo
Fala de convidados

4º Bloco
Cena “Rosa Vermelha", pelo Núcleo 184
Fala da Ministra Ana de Hollanda - MinC
Música com o Coro Luther King - Peça "Bella Ciao"

Serviço:
Centenário Lélia Abramo
8 de fevereiro de 2011 – terça, a partir das 19:00h
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – República
Telefone: (11) 3256-9463
Mais informações sobre a homenagem: contatar Fábio Abramo (fone 11-7504 4861) ou Tadeu di Pietro (11-9943.7713 /11-8278.5577).

Se é que Deus vai atender a porta

De Reynaldo Jardim, jornalista e poeta que foi falar com Deus na semana passada:

"Se eu quiser falar com Deus, tenho que abaixar a crista, tenho que seguir à risca o que o Gil nos ensinou (...) Quando chegar minha vez, tenho que soltar o grito. Pois daqui ao infinito, Deus não vai me escutar. Ele está ficando surdo, já não enxerga direito. Contragosto e contrafeito com o mundo que criou. Tenho que levar presentes, minha alma, meu delírio, a luz acesa de um círio, que ele está na escuridão.

Se eu quiser, mas eu não quero, que esse Deus é prepotente. Ele é onipresente, só não está onde estou. Se quiser falar comigo, não atendo o celular. Não deixo a mesa do bar, que esse chope está demais. Eu só vou falar com Deus, quando ele matar a fome dessa criança sem nome, que não pára de chorar. Quando ele descer do céu e vir que cada menino, sem presente, sem destino, precisa de um beijo seu".

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Graciela Iturbide é mais que a senhora das iguanas


Fui ver as fotos da Graciela Iturbide na Pinacoteca. E fiquei mais que impressionada. Já tinha visto uma parte do trabalho dela no Centro de la Imagen, na Cidade do México, e já tinha achado um trabalho riquíssimo. Me lembra aquelas imagens do filme Que Viva México!, com os jovens embrutecidos que viviam nas regiões das plantações de agave. São os sobreviventes e resistentes do deserto.

As mulheres, os homens, os jovens e as crianças da Graciela são personagens fortes, de caras marcadas pelo tempo, pelo sol, pelo trabalho duro. E ao mesmo tempo, são fiéis às tradições, aos costumes como o dia dos mortos, os rituais ancestrais de sacrifício de animais e muito mais. As paisagens de diversas cidades mexicanas gritam nas fotos como o colorido do preto e branco. É possível enxergar colorido através do preto e branco? Por incrível que pareça, consigo ver o México do amarelo, do ocre, do azul e do vermelho nas fotos da Graciela.

De emocionar é o registro que ela faz do banheiro da Frida Kahlo. Vi esse mesmo banheiro na Casa Azul e lá fiquei também impressionada. A gente sempre tem na cabeça a imagem da Frida apaixonada, pintora, a mulher forte que luta pela vida. Mas ali naquelas fotos, a gente vê a realidade que ela vivia no dia-a-dia, presa a botas de couro e ferro, a espartilhos de couro e armações, as muletas e outros apetrechos que a mantinham ereta. É cru, dolorido demais ver aquilo. E a gente pensa: de onde será que ela tirava tanta energia, tanta força? Muita gente, por muito menos teria dado fim numa existência de tanto sofrimento!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Graciela Iturbide na Pinacoteca


Nossa Senhora das Iguanas. É uma das mais famosas fotos de Graciela Iturbide, a fotógrafa mexicana que está expondo na Pinacoteca. O trabalho dela é maravilhoso. A exposição fica só até 30 de janeiro. Não deixem de ver. Cultura latinoamericana de primeira. Sobre Graciela e a exposição, entre no site da Pinacoteca

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pela responsabilidade social nos meios de comunicação!

Nos últimos dias, o papel da televisão tem sido questionado em diversas frentes. Laurindo Leal Filho escreveu o artigo "Tempo como serviço, não como espetáculo", no qual fala sobre os programas televisivos de previsão do tempo que exibem lindas modelos/atrizes/jornalistas com suas curvas acomodadas em modelos de última moda. Enquanto isso, precipitações gigantescas aconteceram e esse serviço televisivo não foi de nenhuma serventia para prevenir as catástrofes que estamos vendo como espetáculo nas emissoras de TV.

Tratamento de espetáculo também é dado a desastres, crimes e desventuras dos seres humanos que vivem sobre a Terra. Quem se lembra do "Aviso aos navegantes" da Voz do Brasil? Lalo lembra que esse programa evitou que muitas embarcações fossem a pique.

De outro lado, temos um movimento social que alerta ao Ministério Público Federal o incitamento à violência, feito pelo diretor do programa Big Brother da Tv Globo. Segundo Boninho, nessa edição do BBB está liberada a pancadaria. É essa a TV que queremos? Educando para a violência? Na Nota de Preocupação e Repúdio encaminhada à Drª Gilda Carvalho, do MPF,

"Acreditamos que, por ser uma concessão pública, e pela sua importância como educadora informal, pelo respeito devido aos telespectadores, cabe à televisão se pautar pelos mais altos interesses da sociedade e pela responsabilidade social que o poder que detém com a concessão lhe confere.
Não nos interessa a banalização da violência na mídia, que tem servido de estímulo para a sua reprodução na sociedade em que vivemos, numa espiral infernal que nos distancia do modelo de sociedade livre de violência na qual gostaríamos de viver.

A violência contra a mulher é um mal que queremos erradicar, pelo que temos militado há décadas. Os acordos e protocolos internacionais firmados pelo Brasil, a luta implementação da Lei Maria da Penha veio coroar os nossos esforços no sentido de tentar inibir tal violência. Seria portanto altamente prejudicial e contraditório que a mídia estimulasse a violência, tão-somente para melhorar os seus próprios índices de audiência! As mulheres querem, merecem, precisam e têm o direito de viver numa sociedade livre de violência de gênero e de qualquer forma de opressão.

Nos parece igualmente prejudicial a nossos interesses, caso a mensagem do Boninho não vise estimular a violência contra as mulheres, mas “a pancadaria” entre os homens.

A banalização e espetacularização da violência tem servido de estímulo para mais-violência na sociedade. Como mães, namoradas, filhas, companheiras, irmãs, amigas, mulheres em geral, não somos a favor da violência – nem entre os gêneros, nem intra-gêneros. Não vemos o menor sentido em “liberar a pancadaria” num programa de grande audiência, sabedoras que somos do estímulo que isso representa para os jovens e adultos.
As masculinidades não devem ser medidas pela violência e é importante ter em mente que não podemos oferecer tais modelos, para muitos jovens que se identificam com esse programa. Finalmente, dizem bem os psicólogos sobre a contribuição destas cenas na formação da subjetividade das crianças, quando não também dos adultos – motivo de nossa preocupação."

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Feliz 2011. Com muito atraso.


Faço aqui o meu mea culpa. Desculpem se sumi de vez do blog. Culpa do Facebook. Ele vicia a gente com a interatividade que oferece. Desde a última vez que publiquei aqui, no dia 28 de outubro aconteceram tantas coisas... Vi Dilma ganhar a eleição para presidente, vi Lula se depedir do governo, vi Dilma assumir como a primeira mulher presidenta do Brasil, vi a magnitude das Cataratas de Foz do Iguaçu, vi a vida dos sacoleiros que cruzam a ponte da amizade entre Brasil e Paraguai, enfim, vi muita coisa.

Mas voltando ao Facebook, ele vicia mesmo. Com a rapidez que oferece para as respostas, a interatividade, a gente acaba ficando muito mal acostumado. Textos mais longos, a gente vai deixando pra quando sobrar um tempinho, mas esse tempinho demora demais a chegar. Mas vamos retomar, com dicas, denúncias, poesias, receitas culinárias etc. Pra quem ainda não disse, feliz 2011.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um poema para Dilma

500 anos esta noite

Pedro Tierra

De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?

Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.



Brasília, 31 de outubro de 2010.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Procon de São Paulo adota atendimento online de queixas sobre comércio eletrônico

Por: Bruno Bocchini


Reclamações sobre comércio eletrônico poderão ser feitas pela internet

O Procon de São Paulo tem agora um canal de atendimento online exclusivo para os consumidores que tiveram problemas com compras feitas pela internet. O novo canal, por ora exclusivo para quem contratou via web, será disponibilizado no site www.procon.sp.gov.br. O atendimento online, lançado hoje (21), deverá ser estendido em breve para outras modalidades de consumo.

Depois de receber a queixa do consumidor, o Procon analisará a reclamação e um técnico encaminhará uma mensagem esclarecendo os direitos do consumidor e a eventual necessidade de envio de documentos e outros dados. As empresas reclamadas também serão comunicadas das demandas por meio de carta de informação preliminar (CIP), enviada eletronicamente.

Caso não haja solução nessa fase preliminar, será instaurado um processo administrativo. A reclamação então seguirá nos moldes tradicionais, com audiências conciliatórias.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O novo Brasil, por Nilmário Miranda

O que está mudando a cara do Brasil, segundo Nilmário Miranda, é o fato de as lentes governamentais terem se voltado para regiões até então "desmerecedoras" de políticas públicas, infraestrutura, financiamento etc. Esse é o Brasil que está minando na terra, surgindo e mostrando a cara. Tudo isso está no artigo " Investimentos em infraestrutura como nunca se viu no país", assinado por Nilmário e publicado no portal do PT.

Memória de um Brasil privatizado



Imagine que você trabalhou toda a vida para adquirir um patrimônio. E que, com dívidas, tenha decidido vendê-lo para colocar as contas em dia. Agora imagine que o comprador anda sem grana. E que você empresta para ele o dinheiro com o qual seu patrimônio será comprado. Ele te pagaria de volta a perder de vista, assim que começasse a lucrar com o que comprour. Detalhe: você teria vendido os bens com os quais gerava parte de sua renda. E por um preço abaixo do valor de mercado. Foi assim que se deu boa parte das privatizações no Brasil, no governo de FHC. O artigo é de Tiago Soares e está publicado na Carta Maior.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Privatizações na berlinda, por Aloysio Biondi

"O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro chegou à conclusão de que a venda do Banerj ao Itaú, por 300 milhões de reais, ridículos tostões, deixou uma dívida de fantásticos 9 bilhões de reais ao governo do Estado. Uma cifra correspondente apenas à tal “parte podre” que a privatização de FHC deixa para Estados e União na venda de suas empresas, enquanto os “compradores” ficam com a parte lucrativa. Somando-se essa herança podre ao valor que toda a estrutura do Banerj apresentava, os prejuízos chegam aos 12 bilhões de reais anunciados anteriormente pelo governador Garotinho.

Sem explicação aparente, podridões como essa do Banerj começaram a surgir no noticiário, furando o muro de mentira que a grande imprensa havia construído em torno das privatizações. Até o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre telefonia, energia, rodovias etc., em que o número de mentiras era razoavelmente baixo, e o número de críticas inacreditavelmente alto para os padrões da TV Globo."

Este texto integra o artigo "Adeus às enganações de FHC", publicado na revista Revista Caros Amigos, em maio de 200