sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Pela responsabilidade social nos meios de comunicação!
Tratamento de espetáculo também é dado a desastres, crimes e desventuras dos seres humanos que vivem sobre a Terra. Quem se lembra do "Aviso aos navegantes" da Voz do Brasil? Lalo lembra que esse programa evitou que muitas embarcações fossem a pique.
De outro lado, temos um movimento social que alerta ao Ministério Público Federal o incitamento à violência, feito pelo diretor do programa Big Brother da Tv Globo. Segundo Boninho, nessa edição do BBB está liberada a pancadaria. É essa a TV que queremos? Educando para a violência? Na Nota de Preocupação e Repúdio encaminhada à Drª Gilda Carvalho, do MPF,
"Acreditamos que, por ser uma concessão pública, e pela sua importância como educadora informal, pelo respeito devido aos telespectadores, cabe à televisão se pautar pelos mais altos interesses da sociedade e pela responsabilidade social que o poder que detém com a concessão lhe confere.
Não nos interessa a banalização da violência na mídia, que tem servido de estímulo para a sua reprodução na sociedade em que vivemos, numa espiral infernal que nos distancia do modelo de sociedade livre de violência na qual gostaríamos de viver.
A violência contra a mulher é um mal que queremos erradicar, pelo que temos militado há décadas. Os acordos e protocolos internacionais firmados pelo Brasil, a luta implementação da Lei Maria da Penha veio coroar os nossos esforços no sentido de tentar inibir tal violência. Seria portanto altamente prejudicial e contraditório que a mídia estimulasse a violência, tão-somente para melhorar os seus próprios índices de audiência! As mulheres querem, merecem, precisam e têm o direito de viver numa sociedade livre de violência de gênero e de qualquer forma de opressão.
Nos parece igualmente prejudicial a nossos interesses, caso a mensagem do Boninho não vise estimular a violência contra as mulheres, mas “a pancadaria” entre os homens.
A banalização e espetacularização da violência tem servido de estímulo para mais-violência na sociedade. Como mães, namoradas, filhas, companheiras, irmãs, amigas, mulheres em geral, não somos a favor da violência – nem entre os gêneros, nem intra-gêneros. Não vemos o menor sentido em “liberar a pancadaria” num programa de grande audiência, sabedoras que somos do estímulo que isso representa para os jovens e adultos.
As masculinidades não devem ser medidas pela violência e é importante ter em mente que não podemos oferecer tais modelos, para muitos jovens que se identificam com esse programa. Finalmente, dizem bem os psicólogos sobre a contribuição destas cenas na formação da subjetividade das crianças, quando não também dos adultos – motivo de nossa preocupação."
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Sabe quando é que dá vergonha de ser jornalista? - parte 2
Na primeira parte deste post, eu falei sobre os jornalistas da Veja levantando a bola para o Serra nas Páginas Amarelas. Agora, é a vez dos jornalistas da TV Globo jogando cascas de banana pra Dilma, na entrevista feita no Jornal Nacional do começo da semana. Willian Bonner, ele principalmente, e Fátima Bernardes a cada pergunta, reforçavam a tese da inexperiência de Dilma e os resultados fracos do governo em determinadas áreas. Dilma, apesar de encurralada, respondeu tudo à altura.
Abaixo, algumas pérolas (os grifos são meus). Quem quiser ler a íntegra da entrevista, pode acessar o blog Leituras Favre
William Bonner: ... a senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até este momento. A senhora se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?
William Bonner: Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele, de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu governo, caso eleita?
Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?
William Bonner: ...Vamos discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica. No entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia, Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos eles. Por quê?
Dá vergonha ou não dá?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Lula, Cristo e Judas
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Lúcio Flávio Pinto: a voz castigada da Amazônia
Na semana passada ele foi condenado numa das quatro ações movidas pelos donos do grupo O Liberal, do Pará. Condenado, não pode sair do estado para participar do 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, onde seria homenageado. O texto abaixo é um extrato do que foi lido por seu filho na abertura do evento. Quem quiser ler o texto todo, pode acessar o site da Adital (Agência de Informação Frei Tito para América Latina)
"...
Sei que o que vi e sobre o que escrevi é a própria história em processo, uma história como poucas houve e, espero, poucas voltarão a se repetir, com suas cores dramáticas e infamantes. Com os olhos de um adolescente de 16 anos, vi cientistas de todo mundo reunidos em Belém, no centenário da mais antiga instituição de pesquisa regional, o Museu Paraense Emílio Goeldi. Percebi então que a Amazônia á uma questão planetária, que, para o bem e para o mal, não pode ser tirada desse âmbito mais amplo. Aos 18 anos, fiz a primeira viagem à Serra dos Carajás, que se constituiria a maior província mineral do mundo.
Aprendi que a riqueza do subsolo da Amazônia lhe impõe este como o primeiro desafio de inserção global. Conheci muitos bravos personagens da história amazônica que perderam seu papel nesse drama por terem sido assassinados, como Chico Mendes, Gringo e centenas de cidadãos esmagados pelo trator da história oficial. Fui testemunha, às vezes solitária, de acontecimentos únicos, como o ingresso, no rio Jari, da fábrica e da termelétrica trazidas do Japão pelo milionário americano Daniel Ludwig, com quem tercei armas. Fui alvo de ameaças e vítima de agressões. Aos poucos, minha indignação foi crescendo e meu desejo de intervir nessa realidade extrapolou limitações. Não só escrevia, em todos os lugares que se me oferecessem. Também bradava aos quatro ventos, num circuito de palestras dentro e fora do Brasil que se expandiu em espirais.
Tanto escrevi e tanto disse que meu texto se tornou lido e minha voz, ouvida. Passei a incomodar, acho que em especial porque a força da minha indignação não alterou o meu compromisso com a verdade, no desempenho técnico da minha função de reportador dos fatos, escrivão do cotidiano. Era tão incômodo ouvir o que eu dizia quanto difícil desmentir o que eu divulgava. Cometi o pecado mortal de incomodar os manipuladores da verdade e os donos do poder. Não por mera coincidência, em plena democracia, me tornei um dos jornalistas mais processados e condenados, principalmente por outros cidadãos que alegam intimidade com o jornalismo, já que possuem empresa jornalística. Com o toque sugestivamente kafkiano de que, queixando-se de serem vítimas de minhas inverdades, não utilizam seu enorme poder de comunicação para contrapor a elas suas verdades, em debate público. Pelo contrário, fazem da técnica do silêncio, combinada com a utilização do maleável poder judiciário, enquanto força pretoriana a serviço dos seus objetivos e caprichos, o instrumento para me esmagar e destruir."
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Será que a Conferência de Comunicação vai virar pizza?
No começo de dezembro deste ano acontece a Conferência Nacional de Comunicação, chamada pelo governo federal. Até agora, o governo Lula já realizou inúmeras conferências, mas esta promete ser a mais custosa, politicamente falando, tanto para o governo como para o movimento social.
Em nenhuma das conferências o empresariado esteve tão organizado como os proprietários dos jornais e revistas, TV, rádio, e, agora, junte-se a eles os representantes das teles que querem entrar no ramo das TVs digitais.
Mas a voz corrente entre os que participam da organização da Confecom é a de que ninguém deve esperar milagres, ou seja, democratização do acesso aos meios de comunicação, regulamentação das concessões de rádio e TV, controle público etc.
De qualquer forma, é uma conferência que está mobilizando gente de todo o país, das mais diversas áreas: sindicatos, universidades, ONGs, igreja e muito mais gente. Só por isso já está valendo.
No mais, o que esperar da conferência, quando o Ministério das Comunicações é comandado pelo Hélio Costa?
Mas estudiosos como Venício Lima, da UnB, acham que o país deve aproveitar o momento de preparação da conferência para que sejam debatidos temas como a questão da propriedade dos meios de comunicação, hoje concentradas nas mãos de algumas poucas famílias, e também o uso das concessões públicas, que hoje são comercializadas como bem privado.
Outro ponto que Venício Lima aponta: é preciso denunciar os desmandos cometidos pela mídia: distorções da realidade, parcialidade nas reportagens, omissões etc.
O Venício, por sinal, parece um paladino que vai de canto em canto do país falando sobre isso e alertando os movimentos sociais pra não perderem esse momento tão importante.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Agora é a vez do Grupo Folha ser condenado no caso Escola Base
O que não se quantifica é o número de jornais que reproduziram essas notícias Brasil afora utilizando-se dos serviços das agências de notícias que cada um desses grupos mantém. Inúmeros jornais locais saem reproduzindo o que lhes chega às mãos, sem verificar a veracidade das informações.
Essa situação vivemos aqui mesmo em São Paulo quando recentemente noticiou-se a queda de um avião num bairro residencial e que teria causado um grande incêndio. É a maior prova do jornalismo preguiçoso que se instalou no Brasil. Bastou a Globonews dar essa informação para os demais veículos de comunicação passassem a reproduzí-la. Tudo não passava de um incêndio causado por um curto-circuito no interior de uma loja de colchões.
Ninguém mais vai apurar matéria antes de publicar? O que aconteceu com aquelas perguntinhas básicas - quem? o que? quando? onde? como? por quê? - que deveríamos responder antes de colocar uma matéria no ar ou publicá-la?
Se a moda pega, a situação dos meios de comunicação vai ficar bem difícil, afinal, hoje já não contam com a mesma credibilidade que um dia tiveram. Foi-se o tempo em que passávamos o domingo lendo o jornal; as matérias eram bem apuradas, tinham densidade. Hoje, aos domingos, basta dar uma folheada no jornal e sair atrás de outra coisa pra fazer.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Mino Carta acaba com seu blog em solidariedade a Amorim

Este é o último post do Mino:
19/03/2008 12:54
“O último post
Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.”
IG tira Paulo Henrique Amorim do ar
www.paulohenriqueamorim.com.br .Amorim vinha diariamente atacando a imprensa tradicional que ele passou a chamar de PIG – o Partido da Imprensa Golpista, que segundo ele, desde que Lula assumiu a presidência tem dois objetivos: sua desestabilização e sua derrubada.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A Abril e o assédio moral
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Percival de Souza fala sobre jornalismo investigativo
É no sábado, dia 1°/12, das 9h às 12h, no Sindicato. O Ciclo é gratuito e é aberto a jornalistas e estudantes de comunicação. Mais informações e a ficha de inscrição on line estão em www.sjsp.org.br
Mário Prata diz que livro do Kotscho é de “alta ajuda”
Tem gente achando que o novo livro do Kotscho, o Ricardo, é de auto-ajuda. À primeira vista é o que parece mesmo. Afinal, a coisa toda tá sendo vendida assim pela Ediouro: Uma vida nova e feliz... sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá, sem secretária e sem sair do Brasil. Mas quem conhece o Ricardo sabe muito bem que a coisa não é bem assim; é quase assim. Nos últimos tempos ele descobriu que é possível usufruir das coisas boas da vida e ainda assim continuar jornalista, pai, marido, são-paulino, paulistano, brasileiro. Do próprio Ricardo: “A liberdade na escolha de onde queremos ir e dos assuntos sobre os quais escrevemos, constatei, depende da liberdade de conduzir a nossa vida, dos lugares aonde pisamos, das pessoas com quem convivemos, do tempo livre de que dispomos. Livre da pauta e dos horários dos outros, pude criar minha própria rotina.”O lançamento em São Paulo é no sábado, dia 1º de dezembro, às 11 h, Livraria da Vila da Al. Lorena (Lorena 1731).
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Sobre el Che
Muita gente ficou muito fera (pra não dizer outra coisa) com a matéria Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa, publicada na Veja n° 2028, mas a mesma Veja publicou há 10 anos atrás uma matéria completamente diferente (contradições?). A matéria O triunfo final de Che de Dorrit Harazim (com fotos do Orlando Brito) é da edição 1503, de julho de 1997 e foi resgatada por um leitor do blog do Rovai. Um trecho: “Che Guevara tinha tudo para se tornar imortal: era bonito, destemido e morreu jovem, defendendo conceitos igualmente jovens, como a solidariedade e a justiça social. Sonhou com um novo homem para o século XXI e viveu como 'o homem mais completo do século XX', segundo a clássica definição de Jean-Paul Sartre. Foi radical, moralista e conseqüente. Ícone da geração dos anos 60, ironicamente nunca chegou a usar jeans - passou direto da calça de pano ao uniforme de guerrilheiro. Também nunca deve ter cantado rock -tinha péssimo ouvido musical e jamais se conciliou com a língua inglesa. Viveu num mundo sexualmente revolucionário, mas era casto. Tornou-se símbolo da boemia, embora praticamente não bebesse. Virou moda, em suma, e, como ensina o historiador inglês Eric Hobsbawn, 'a moda é freqüentemente profética'”. (Foto: galeria site Vermelho)