domingo, 8 de fevereiro de 2009

Voltei.

Blogueiro educado avisa quando vai desaparecer, não é mesmo? Parece que faltei à aula. Bem, fui para o Fórum Social Mundial em Belém, mas bem antes da viagem tinha tanta coisa pra preparar e deixar em ordem que não deu tempo pra atualizar o blog. Belém, como sempre muito quente, dessa vez estava chuvosa, porém bem menos chuvosa do que esperávamos. São os próprios paraenses que brincam dizendo que ali só existem duas estações no ano: a que chove todo dia e a que chove o dia todo. No dia da Marcha de abertura, o temporal mandou ver, mas ninguém arredou pé da rua.





O Fórum é aquela babel que muita gente já teve a sorte de presenciar. Milhares de idéias circulando, experiências sendo trocadas, militantes de movimentos sociais do mundo todo mostrando um pouco do trabalho que realizam em seus países etc. É revigorante ver tanta gente se mexendo mundo afora, seja de organizações não governamentais como dos governos também.

Ouvir Marina Silva é sempre bom, ainda mais na própria região que ela tanto luta pra defender. Ao sair do governo ela perdeu as amarras oficiais e voltou à militância que marcou e marca sua vida. Ouvir os índios sobre suas necessidades e novas necessidades a partir das demarcações de suas terras também é muito interessante. É um Brasil que a gente pouco conhece, que nós, dos grandes centros, ignoramos. O Brasil pensa que conhece o Brasil com a pasteurização carioca-paulistana que a Globo apresenta em suas novelas, mas o Brasil real é bem outro.


Participar desses eventos que trazem gente de todas as partes é uma injeção de ânimo. Ajuda a gente a perceber que tá no caminho certo e que ainda tem muita gente no planeta interessada em conhecer novas experiências.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Jack Bauer vai perder o emprego?

Tudo é permitido em nome da segurança nacional,inclusive torturar. Essa era uma das máximas de Jack Bauer, o protagonista vivido por Kiefer Sutherland no seriado 24 horas, no qual aparecia torturando árabes e suspeitos de terrorismo. Com a decisão de Obama de proibir a tortura nos interrogatórios, acho que Jack vai perder o emprego. Ou vai ter que rever seus "métodos" de trabalho. Aplaudo a decisão de fechar Guantanamo. Ontem ainda critiquei o Obama porque ele só havia mandado suspender os julgamentos dos trancafiados em Cuba e não fechar a base. Quem sabe, as coisas não mudam também na relação com Cuba, não é mesmo? Afinal, esperança nunca é demais.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Livro é a minha praia




Uma amiga me presentou com três livros que ela achou que tinham a minha cara. Dois eram de gastronomia e um era sobre os índios Caiapó Metutire. Não podiam ter vindo parar em melhores mãos. Tô me deliciando com eles. Como ela sabe que eu A-D-O-R-O carne de porco, me deu o Carne Suína no Brasil: qualidade do campo à mesa, da Ed. Senac Nacional, que é um tratado sobre o assunto. Além dos aspectos históricos, dos costumes, das partes do porco, traz muitas receitas. O outro livro, o Satyricon: o mar à mesa (da Danusia Barbara, ed. Senac RJ) é uma beleza. Só lamentei não ter dinheiro pra ir lá e comer aquelas delícias. Mas como o livro inclui receitas do restaurante, vou fazer em casa. E o livro dos Caiapó, do Paulo Pinagé e Vito D'alessio, traz imagens do dia-a-dia dos índios que vivem no Pará.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um passeio pela Índia

Minhas rodinhas ainda vacilam pra seguir em direção à Índia, mas acho que não vai dar pra me desviar depois que recebi as fotos que meus amigos Tirma e Raul fizeram por lá. Voltaram pra casa encantandos com o país, com as pessoas. Tudo aquilo que estamos cansados de saber eles encontraram por lá (pobreza, crianças malabares nas ruas, sujeita etc.), mas eles se embrenharam pelo interior e viram coisas fantásticas. Reproduzo aqui algumas imagens que eles enviaram.

Hora do chá em Mandawa


Vista de Udaipur


Mais que sagradas (em Jaisalmer)


A beleza e as cores soltas pelas ruas

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

E agora, quem cuida das veias?

Aurora Boreal pergunta: o médico que trata das veias das veias é geriatra ou vascular? O tal acordo ortográfico tem essas singularidades. É claro que muita gente resiste a mudanças, sejam elas quais forem, na gramática ou na vida, mas por mim, ficaria muito feliz se eliminassem de vez a tal crase. Afinal, poucos iluminados tem a sorte de saber exatamente quando e onde usá-la.

Pra quem quer saber um pouco sobre o acordo, dá pra ter uma idéia no site do gramático Marcos Bagno

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dá pra ser feliz com bem pouco!



Esse japinha parece boa praça. Não sei quem é, nem quem fez a foto, mas é assim mesmo que eu queria passar uma parte de 2009: de papo pro ar. Não dá pra ser feliz com bem pouquinho? Mas só pra garantir, já renovei meu passaporte.

A arte de trinchar um frango


Uma amiga me disse que ia virar vegetariana depois de, literalmente, “estraçalhar” uma pobre ave pela primeira vez. Ficou horrorizada com a experiência. Deve ser mesmo traumatizante pra quem nunca teve que colocar "a mão na massa". Fiquei pensando se alguém vira, de fato, vegetariano depois disso. Acho que é possível sim, porque sei que não é tarefa nada agradável cortar um animal, mesmo que morto, ou então lidar com fígado de boi, miúdos e outras partes de animais antes de colocá-los na panela. Se por um lado as bandejinhas vendidas em supermercados representam uma comodidade pra quem vai cozinhar, por outro, distancia cada vez mais a pessoa da origem dos alimentos. E isso pra quem ainda cozinha, porque os congelados são a ponta extrema desse distanciamento.

Os associados do movimento Slow food pregam exatamente o contrário, ou seja, é preciso saber exatamente de onde vem os alimentos, como foram produzidos, plantados ou criados. Não é um movimento de vegetarianos - pode ser que uma boa parte de seus simpatizantes o sejam - mas não é regra. O que se procura, principalmente quando o bolso deixa, é consumir alimentos sem aditivos químicos como agrotóxicos e hormônios.

Dizem que os frangos de granja são abatidos com menos de 30 dias. Antes eram 45 e eu já achava o fim do mundo. Razão pra isso? Consumo em escala muito grande e necessidade de fornecimento. Dá-lhe hormônio pra garantir ovos e frango pra todo mundo! Mas uma pergunta não me sai do pensamento: não existe alternativa pra garantir o atendimento da demanda e ao mesmo tempo uma vida mais próxima do natural para as plantas e os animais?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Não, não amarelei

Já viram que o pano de fundo virou amarelo, não é mesmo? Mudei porque dizem que 2009 é o ano do sol, da luz. Então, nada melhor que este amarelo aqui, o mais próximo que achei dos raios solares!
No interior de Minas encontrei esta família aí ao lado, e acho que todo mundo fica meio assim no final do ano, querendo se juntar, mesmo que seja só na semana do Natal. Alguns preferem a carreira solo, mesmo que seja assaltado por pensamentos sombrios do tipo "e se a depressão me pega?", ou ainda "Será que estou fadado a ficar sozinho?". Outros foram se misturar na multidão dos festejos de ano novo, tentando não se sentir sozinho, mas ainda assim, sozinho no meio da multidão. Ô coisa enrolada é viver!

Mas o importante mesmo é viver e tentar tirar o máximo que essa nossa curta temporada na terra pode nos oferecer. Já comecei 2009 com boas intenções: agendei a renovação do passaporte, que vence no primeiro semestre, arrumei a casa, joguei as tralhas fora, abri espaços na casa. Tudo isso pra abrir espaço pra que ventos novos possam soprar pelas bandas de cá.

E como diz o amigo Redneck, do blog Por uma second life menos ordinária, "Conviver é um presente!", portanto, espero mesmo ver e viver mais tempo com os amigos. Menos e-mails e mais encontros.

Que todos tenham um 2009 mais que radiante!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Carinho explícito



No dia 13 fizemos um evento de encerramento da Pós e os alunos puderam convidar algumas pessoas. Nossa colega Paula, que vinha do Rio todos os sábados, tinha contado que a mãe não viria porque estava viajando. Ela nos contou ontem que quando chegou ao hotel depois do evento no sábado, encontrou um buquê de flores e uma garrafa de champagne esperando por ela com um cartão carinhoso da mãe dando os parabéns por mais uma etapa vencida. Pensei: como é bom quando as pessoas externam seus sentimentos!
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Não é coisa do outro mundo

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De Cora Coralina



"Não sei se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo...."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

E não é que 2009 já tá batendo na porta?

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Passando pela avenida paulista ontem à noite fiquei pensando se é possível ficar à margem do clima natalino, mesmo que você não seja cristão e não frequente nenhuma das igrejas que pregam o nascimento do menino Jesus na noite de 24 de dezembro. Comprar presente para o amigo secreto tudo bem, é uma comemoração de mais um ano que chegou ao fim, mas comprar não-sei-quantos-presentes pra pessoas que você nem é a fim de presentear, é uma hipocrisia sem fim.

Outro mito do Natal: não dá pra ficar sozinho, pode bater a deprê e o sujeito fazer alguma bobagem. Será mesmo que não dá pra segurar a cabeça? Estaríamos assim tão fraquinhos da bola a ponto de não aguentar a nossa própria companhia? Não dá pra ficar sozinho consigo mesmo? Quem vai pra retiro espiritual seria biruta? Sei não. Coisas do final do ano.

A única coisa que gosto mesmo de fazer nesse período é a tal listinha do que pretendo fazer no próximo ano. Acho que é um contrato de intenções consigo mesmo: viajar mais, trabalhar menos, começar a nadar, entrar em forma, estudar um idioma. Tem também a listinha daquilo que não se quer no ano seguinte: ser escravizado pelo trabalho, dar ouvidos às malediscências alheias, aguentar parentes chatos, entre tantas outras.

Pois é, coisas pra fazer no fim de ano não faltam, seja na praia, em casa, ou caminhando pelas montanhas. Quem viajar, que aproveite muito. Quem ficar, que aproveite muito também.

E em 2009 espero que todos dêem muita risada gostosa como essa da amiga Fê.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tiraram um caminhão das minhas costas

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TCC entregue, retomei o controle da minha vida. Parece exagero? Imaginem que já posso até marcar cervejinhas com os amigos em diferentes dias e horários! Liberdade total!

O trabalho ficou bom e agora devo produções com cupuaçu pra diversas pessoas pra compensar a ausência dos últimos tempos. Ainda falta a avaliação da banca e os "ajustes" que certamente terei que fazer antes de dar por encerrada a tarefa, mas o mais pesado já passou.

No sábado, nossa penúltima aula da Pós, fizemos alguns finger foods, ou seja, comidinhas, pequenos bocadinhos etc. A aparência é muito boa. Vejam algumas.


Espeto de feta marinado com erva doce


Tubinhos de siri


Enrolado de tomate seco e rúcula

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pra quem se interessa por gastronomia

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Hoje tô parecendo garota propagando do Estadão, mas como fiquei um tempão esperando o safado do meu ônibus, li tudim, tudim de todos os cadernos. Bem, no Caderno 2 tem uma nota dizendo que o Estadão colocou no ar o site do Caderno Paladar (que circula às quintas-feiras). É pra quem gosta de gastronomia e de coisas novas e modernas na cozinha. São entrevistas, receitas, reportagens e algumas coisinhas mais com gente contemporânea, que tá mexendo com cozinha, vinhos, cafés, restaurantes etc.

Vale a visita.

Veríssimo e a Ford

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Li hoje no Veríssimo (Estadão) e achei ótimo:


"A gente vive atrás de símbolos, e os mais procurados são os que marcam, convenientemente, o fim ou o começo de períodos históricos. Gostamos de frases sintéticas tipo 'o século 19 acabou mesmo com o naufrágio do Titanic' ou 'a revolução sexual começou com a bunda de fora da Brigitte Bardot'. A Ford está entre as montadoras americanas que nesta semana foram pedir ajuda ao Congresso americano para não naufragarem, e se há um fato que simbolizaria o fim de várias eras, idades, ciclos e mundos seria o anúncio do fim da Ford.

Foi a Ford - ou no caso o Ford, Henry, grande visionário, grande patife - que inventou a civilização em que vivemos, o carro massificado, o ar envenenado, a linha de montagem desumanizada, o operário consumidor, um verdadeiro capitalismo popular e um proletariado em grande parte politicamente neutralizado. E mudou a face da Terra. Cair a Ford seria, sei lá, como cair o nariz de um daqueles rostos de presidentes americanos esculpidos na rocha."

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Uma volta na Amazônia




-->Li o relato do Alex Atalla sobre a viagem dele com os chefs espanhóis Ferran Adriá e Juan Mari Arzak pra Amazônia. Conforme ia avançando na leitura do relato sobre a visita ao mercado Ver-o-peso, podia até ver os dois espanhóis encantados feito crianças numa loja de doces pegando em tudo, cheirando, analisando. Tudo novidade, tudo muito diferente dos cheiros, dos sabores familiares. Tudo é over: de frutas, de peixes, de beleza, de calor, de natureza. E estar pisando o solo da Amazônia então? É pra deixar qualquer um em estado de graça!
Gostei também de ver que a solidariedade é um valor importante pra eles. A primeira parada em Belém, depois de deixarem as malas no hotel, foi a casa de Paulo Martins, um dos maiores divulgadores da culinária amazônica/paraense, que está muito doente já há alguns meses. Quando estive em Belém em julho, não consegui falar com ele porque estava de cama há 4 meses. Na semana passada liguei pra filha dele, numa última tentativa de ouvi-lo para o meu TCC e ela me disse que não houve melhoras e que a diabetes cobrava seu tributo. Os três chefs/amigos saíram da casa chorando, segundo o Atalla.

É mesmo de chorar ver uma pessoa que se conheceu tão ativa, prostrada numa cama. Não faz muito tempo, o Paulo e o Atalla tinham levado uma caixa de frutas para o Adriá e essas frutas despertaram no espanhol a fixação em conhecer seu habitat. E conheceu. Pelo uma parte dele. A visita foi uma retribuição.